ONU defende uso de dados e tecnologia digital para melhorar programas de vacinação

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a instituição global PATH lançaram nesta semana (2) um relatório que recomenda ampliar o uso de dados em políticas sobre vacinação. Pesquisa reconhece a importância das tecnologias digitais para coletar informações e aprimorar os programas de imunização nas Américas.

Vacina BCG, utilizada contra a tuberculose, é preparada em centro de saúde em Bougouni, no Mali, em março de 2018. Foto: UNICEF/Ilvy Njiokiktjien

Vacina BCG, utilizada contra a tuberculose, é preparada em centro de saúde em Bougouni, no Mali, em março de 2018. Foto: UNICEF/Ilvy Njiokiktjien

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a instituição global PATH lançaram nesta semana (2) um relatório que recomenda ampliar o uso de dados em políticas sobre vacinação. Pesquisa reconhece a importância das tecnologias digitais para coletar informações e aprimorar os programas de imunização nas Américas.

“Garantir que os profissionais tenham acesso a dados rigorosos é vital para a concepção e implementação de programas baseados em evidências que sabemos que funcionarão”, enfatiza a assessora regional de imunização da OPAS, Martha Velandia.

“A região das Américas tem alguns dos níveis mais altos de cobertura de vacinação do mundo, mas, apesar disso, muitas populações difíceis de alcançar ainda são deixadas para trás.”

O acesso a dados precisos e completos permite aos gestores de saúde pública compreender quais populações estão desatendidas e onde os recursos podem ser alocados com mais eficiência. Quando os profissionais de saúde têm dados confiáveis sobre vacinação, podem, por exemplo, determinar quais crianças devem se vacinar e realizar a divulgação necessária para garantir que visitem as instalações de saúde.

A publicação Immunization Data: Evidence for Action, conhecida pela sigla IDEA, propõe uma revisão de práticas envolvendo melhorias no uso e na qualidade de dados. O relatório foi elaborado a partir de quase 550 documentos sobre imunização. A proposta é divulgar estratégias que realmente funcionem e explicar por que essas intervenções baseadas em estatísticas são capazes de fortalecer as políticas de vacinação.

A pesquisa define cinco recomendações sobre o tema:

  1. Estratégias que abordam as barreiras à imunização devem estar interconectadas e se reforçar mutuamente;
  2. Quanto mais dados forem utilizados, é mais provável que a qualidade deles melhore;
  3. Os dados devem ser uma parte integral da tomada de decisão em saúde;
  4. Os sistemas digitais de informação devem ser utilizados para proporcionar dados de alta qualidade aos tomadores de decisão em tempo real;
  5. O uso de sistemas digitais deve ser feito em etapas para garantir que a infraestrutura adequada esteja implementada para administrá-los.

A OPAS e a instituição PATH receberam apoio de um comitê diretivo formado por lideranças mundiais e regionais em imunização e uso de dados. Entre os que participaram da elaboração do IDEA, estão profissionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Aliança de Vacinas (GAVI) e do Instituto Suíço de Saúde Pública e Tropical.

A publicação está sendo lançada na semana em que acontece a reunião do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas sobre Imunização (SAGE), em Genebra, na Suíça. Como o principal grupo assessor da OMS para vacinas e imunização, o SAGE representa um ator central nos debates globais sobre o tema. O organismo pode ajudar a traduzir os resultados do IDEA em ações concretas.

Os parceiros do IDEA também lançaram a campanha interativa #FindYourFinding, que convida os profissionais da comunidade de imunização e saúde a compartilhar como pretendem usar as descobertas do relatório. O site da campanha — www.findyourfinding.org — reúne depoimentos de parceiros e apoiadores.


Comente

comentários