ONU defende protagonismo de agricultores familiares para transformar vida no campo

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Sem transformar profundamente as condições de vida no campo, a comunidade internacional não alcançará as metas de desenvolvimento sustentável da ONU. A avaliação é de dirigentes das Nações Unidas que se reuniram nesta terça-feira (17) em Santiago, no Chile, para debater o papel da agricultura familiar no cenário rural.

Mulheres representam 20% da mão de obra do setor agrícola na América Latina e Caribe. Foto: Banco Mundial/Romel Simon

Mulheres representam 20% da mão de obra do setor agrícola na América Latina e Caribe. Foto: Banco Mundial/Romel Simon

Sem transformar profundamente as condições de vida no campo, a comunidade internacional não alcançará as metas de desenvolvimento sustentável da ONU. A avaliação é de dirigentes das Nações Unidas que se reuniram nesta terça-feira (17) em Santiago, no Chile, para o encontro As Sociedades Rurais da América Latina e do Caribe e a Agenda 2030. Especialistas discutiram o papel da agricultura familiar na produção agrícola.

“É necessária uma transformação rural socialmente inclusiva e ambientalmente sustentável, cujos protagonistas sejam os pequenos produtores agrícolas. Para alcançar sua crescente integração nos mercados, eles devem contar com um marco institucional e econômico favorável que lhes permita desenvolver todo o seu potencial”, defendeu Paolo Silveri, economista regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Também presente, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na América Latina e Caribe, Julio Berdegué, explicou que “quase oito em dez dos indicadores da Agenda 2030 estão intimamente ligados ao que acontece com as sociedades rurais”.

“Dois de dez indicadores só podem ser alcançados ´em´ e ´com´ o campo”, completou o chefe regional da agência da ONU.

A Agenda 2030 das Nações Unidas reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, que abordam o fim da pobreza e da fome, a eliminação da violência contra as mulheres, a adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo e o combate às mudanças climáticas.

O evento na capital chilena também teve a participação do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Juntos, os quatro organismos multilaterais emitiram um alerta: durante o último século, o paradigma do desenvolvimento esteve fortemente baseado em deixar para trás o rural e abraçar a urbanização e a industrialização. Os ODS, por outro lado, propõem uma nova visão e contêm metas que só serão alcançadas se o papel do campo no mundo contemporâneo for revitalizado, bem como suas ligações com o mundo urbano.

Desigualdades no campo

Para o diretor-geral do IICA, Manuel Otero, o campo vive atualmente uma dupla realidade. De um lado, existe um setor agrícola altamente competitivo, direcionado à exportação e tecnicamente qualificado, para o qual os governos fornecem muitos incentivos. De outro, o segmento da agricultura familiar, que é o que realmente alimenta a população e que precisa de acesso a tecnologia, mercados, serviços públicos básicos e apoio financeiro. Esse setor também ocupa as terras de pior qualidade.

“Neste século, entendemos que o desenvolvimento só trará um verdadeiro progresso humano se gerar sociedades rurais mais completas”, afirmou Otero.

As disparidades no meio agrícola se refletem na maioria dos indicadores sobre os ODS, que apresentam resultados melhores para as sociedades urbanas. O caso da pobreza é um exemplo: a miséria rural afeta 48% da população latino-americana e caribenha, quase o dobro do verificado nas cidades, uma diferença que não mudou substancialmente em décadas.

As quatro agências reunidas em Santiago enfatizaram que, para seguir em frente com o novo tipo de crescimento rural desejado, é essencial promover mudanças estruturais, capazes de enfrentar desigualdades territoriais, econômicas, de gênero e étnicas.

“São necessários compromisso político, políticas renovadas e investimento social para gerar essas transformações. O desenvolvimento do setor rural é fundamental para a sustentabilidade das sociedades modernas. É um caminho necessário para a integração social, a redução das desigualdades sociais e a promoção do desenvolvimento de todos os habitantes”, afirmou Miguel Barreto, diretor regional do PMA.


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