ONU critica novas restrições comerciais de Israel a Gaza

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Israel impôs nesta semana (16) novas restrições ao comércio de bens em Kerem Shalom, um entreposto entre o país e Gaza. Com a exceção de alimentos e suprimentos médicos, todos os produtos tiveram a venda proibida para Gaza. Segundo a imprensa internacional, não será permitida a entrada de combustível no enclave até o próximo domingo.

Vista do campo de refugiados de Jabalia, o maior da Faixa de Gaza. Foto: IRIN/Suhair Karam

Vista do campo de refugiados de Jabalia, o maior da Faixa de Gaza. Foto: IRIN/Suhair Karam

Israel impôs nesta semana (16) novas restrições ao comércio de bens em Kerem Shalom, um entreposto entre o país e Gaza. Com a exceção de alimentos e suprimentos médicos, todos os produtos tiveram a venda proibida para Gaza. Segundo a imprensa internacional, não será permitida a entrada de combustível no enclave até o próximo domingo.

Ainda de acordo com relatos, as medidas do governo israelense seriam uma retaliação contra o uso de pipas e balões incendiários por grupos palestinos. Artefatos teriam causado mais de 750 incêndios, queimando mais de 28 quilômetros quadrados de terras em Israel.

“Esse novo arrocho de um bloqueio abrangente contra Gaza que já é punitivo só piorará sua extrema crise humanitária”, criticou o relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Território Palestino Ocupado, Michael Lynk.

O analista afirmou que as táticas de guerrilha de alguns palestinos devem ser “reprovadas”, mas as ações não justificam as novas políticas israelenses. “Gaza sobrevive com em torno de quatro a seis horas de energia elétrica, sua água potável está quase acabando, ela (a região) vive com as maiores taxas de desemprego no mundo, e sua economia anêmica já um fracasso”, completou o especialista independente.

Outra decisão de Israel restringe para três milhas náuticas a zona costeira permitida para a pesca em Gaza. A determinação viola os Acordos de Oslo, que estabeleciam uma área de 20 milhas a partir da costa para os pescadores.

“O bloqueio de 11 anos de Israel, por ar, mar e terra, fez as condições econômicas e sociais andarem constantemente para trás. Isso equivale a uma punição coletiva dos 2 milhões de residentes de Gaza, o que é estritamente proibido de acordo com a Quarta Convenção de Genebra”, enfatizou Lynk, que pediu a revogação das novas medidas israelenses e o fim do bloqueio.

O chefe humanitário da ONU para o Território Palestino Ocupado, Jamie McGoldrick, também expressou “profunda preocupação” com o posicionamento de Israel. “Esses desdobramentos ocorrem sobre um pano de fundo de uma preocupante escalada de hostilidades nos últimos dias”, afirmou o dirigente.

Segundo McGoldrick, cerca de 15 mil palestinos estão feridos desde 30 de março, e o sistema de saúde de Gaza está à beira do colapso. Até o momento, o orçamento para ajuda humanitária na Palestina recebeu apenas 23% dos recursos solicitados pela ONU à comunidade internacional. Setenta porcento da verba vai para a assistência em Gaza. Além disso, 4,5 milhões de dólares são urgentemente necessários para uso emergencial de combustível.

Enviado alerta para situação ‘à beira da guerra’

Após um sábado (14) de embates violentos entre forças israelenses e militantes palestinos na Faixa de Gaza, o enviado especial da ONU, Nickolay Mladenov, cobrou também nesta semana que os dois lados se contenham, a fim de evitar um confronto que “todos perderão”. Dirigente pediu que facções palestinas parem de disparar mísseis e usar pipas incendiárias na fronteira. À Israel, o representante das Nações Unidas solicitou que seus atiradores de elite não alvejem crianças.

“Ontem, estávamos à beira da guerra”, afirmou Mladenov no último final de semana (15). O enviado das Nações Unidas apelou a grupos de residentes em Gaza para que não provoquem novos incidentes na cerca que separa o enclave do território israelense. Para o comissário, militantes precisam suspender o lançamento de foguetes e “dar uma chance para a paz”.

O representante também fez um apelo ao outro lado do conflito, pedindo à Israel que contenha suas respostas à situação em Gaza. “Eu apelo aos atiradores de elite que não atirem em crianças”, disse o dirigente.

“Eu apelo a todos para que deem um passo atrás (diante do abismo)”, acrescentou Mladenov.

Para o comissário, os confrontos do final de semana são o resultado do colapso da economia de Gaza e da precarização das condições de segurança, sobretudo após as represálias violentas de Israel contra manifestantes em março último. Outros fatores que contribuíram para os novos embates são a contínua escassez de água e eletricidade, bem como a interrupção do processo de reconciliação entre os Palestinos.


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