ONU critica decisão de Camarões de expulsar refugiados nigerianos

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) criticou neste mês (18) a decisão de Camarões de expulsar refugiados da Nigéria, forçando-os a retornar para regiões como o nordeste nigeriano, onde conflitos armados ameaçam a vida da população. Atualmente, o território camaronês acolhe mais de 370 mil refugiados, dos quais 100 mil são nigerianos.

Nigerianos chegam a Maiduguri, no estado de Borno, após fugirem da violência em outras partes da província, localizada no nordeste da Nigéria. Foto: OCHA/Leni Kinzli

Nigerianos chegam a Maiduguri, no estado de Borno, após fugirem da violência em outras partes da província, localizada no nordeste da Nigéria. Foto: OCHA/Leni Kinzli

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) criticou neste mês (18) a decisão de Camarões de expulsar refugiados da Nigéria, forçando-os a retornar para regiões como o nordeste nigeriano, onde conflitos armados ameaçam a vida da população. Atualmente, o território camaronês acolhe mais de 370 mil refugiados, dos quais 100 mil são nigerianos.

Em 16 de janeiro, 267 nigerianos que haviam chegado a Camarões em 2014 foram obrigados a voltar para o seu país de origem. Dois dias antes, na Nigéria, militantes atacaram e saquearam a pequena cidade fronteiriça de Rann, no estado de Borno, a 10 km da fronteira camaronesa. A ofensiva teve por alvo instalações militares, civis e humanitárias. Pelo menos 14 pessoas teriam sido mortas, segundo relatos, e estima-se que 9 mil indivíduos fugiram para Camarões.

O ACNUR disse na sexta-feira passada estar “gravemente preocupado” com a segurança e o bem-estar dos refugiados nigerianos por conta da nova política de retorno das autoridades camaronesas.

“Essa ação foi totalmente inesperada e coloca as vidas de milhares de refugiados em risco”, afirmou o chefe da agência e alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

“Estou apelando a Camarões para que continue com sua política e práticas hospitaleiras, de portas abertas, e suspenda imediatamente quaisquer outros retornos e garanta a conformidade plena com suas obrigações de proteção de refugiados tanto sob sua própria legislação nacional, como sob o direito internacional”, disse o dirigente.

Imagem aérea da cidade de Rann, no estado de Borno, em julho de 2018. Foto: PMA/Inger Marie Vennize

Imagem aérea da cidade de Rann, no estado de Borno, em julho de 2018. Foto: PMA/Inger Marie Vennize

O nordeste da Nigéria tem sido duramente atingido por movimentos insurgentes desde 2009. Segundo o coordenador humanitário no país, Edward Kallon, os episódios de violência em Rann levaram ao interrompimento da entrega de assistência para 76 mil deslocados que vivem na cidade.

“Os ataques em Rann, que são cada vez mais frequentes, estão tendo um impacto devastador sobre os civis que se refugiam nessa cidade isolada e estão afetando nossa habilidade de entregar uma ajuda capaz de salvar vidas para mulheres, homens e crianças em necessidade”, explicou o especialista.

Os criminosos saquearam e destruíram uma clínica, armazéns de suprimentos de assistência e acomodações de profissionais humanitários. Abrigos num acampamento e o mercado próximo foram incendiados. Até sexta-feira passada, a cidade estava inacessível para organizações humanitárias internacionais, tanto por terra quanto por ar.

“Esse ataque espalhou medo entre uma população já vulnerável e recursos humanitários também foram visados”, acrescentou Kallon, que pediu com urgência para o governo da Nigéria proteger civis, incluindo profissionais de assistência.

Desde novembro, incidentes em outras áreas do governo local, no norte do estado de Borno, forçaram mais de 43 mil pessoas a fugir de suas casas. Desse grupo, mais de 32 mil nigerianos decidiram buscar segurança em Maiduguri, capital da província. Muitos deles foram para acampamentos já lotados.


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