ONU constrói sistema de abastecimento de água para combater cólera no Haiti

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Uma parceria entre as Nações Unidas e o governo do Haiti está levando água potável para mais de 14 mil moradores de Madan Mak e Loncy, duas comunidades que antes faziam parte dos 42% da população haitiana sem acesso a água própria para o consumo. Região ganhou uma estação de tratamento e fornecimento de recursos hídricos, construída com financiamento da Missão da ONU no país (MINUSTAH).

No Haiti, 42% da população não tem acesso à água potável. Foto: MINUSTAH/Logan Abassi

No Haiti, 42% da população não tem acesso à água potável. Foto: MINUSTAH/Logan Abassi

Uma parceria entre as Nações Unidas e o governo do Haiti está levando água potável para mais de 14 mil moradores de Madan Mak e Loncy, duas comunidades que antes faziam parte dos 42% da população haitiana sem acesso a água própria para o consumo. Região ganhou uma estação de tratamento e fornecimento de recursos hídricos, construída com financiamento da Missão da ONU no país (MINUSTAH).

A iniciativa faz parte das ações da ONU para combater a cólera na nação caribenha. Projeto inaugurado recentemente envolveu a captura de água da nascente Mangoule e a construção de reservatórios e pontos de abastecimento. O custo total chegou a quase 95 mil dólares, dos quais 89 mil foram pagos pela MINUSTAH.

“A erradicação da cólera pode ser alcançada a médio prazo, em dois ou três anos, se ênfase for dada a ações imediatas. Ou seja, se dermos ênfase a capacidades de resposta, gerenciamento e tratamento imediato da água. Mas nada pode ser feito sem um investimento em água, saneamento e higiene”, afirmou o coordenador humanitário da ONU na nação, El-Mostafa Benlamlih.

“Antes de a água chegar até aqui, dava muito trabalho buscar água potável. Nós sempre tínhamos ir atrás de água lá em Mont-Désir, que fica a quilômetros de distância”, conta Maria-Rose Joseph, uma moradora de Loncy. Quando não podia percorrer a longa distância de sua casa até postos de fornecimento, a haitiana acabava recorrendo a fontes de água contaminada.

“Precisamos de água e, antes, tínhamos de acordar às quatro da manhã para buscar água potável”, acrescenta Sonia Verville, de Madan Mak. “Não tínhamos água para lavar nem para beber, e a cólera vinha tirar nossas vidas.”

As duas comunidades ficam localizadas na comuna de Lascahobas, dentro do departamento de Artibonite, onde a estação de tratamento e abastecimento foi construída em parceria com organismos do governo e agências implementadoras.

Para o coordenador humanitário da ONU, investimentos em saneamento devem continuar. Para tanto, o apoio de doadores é “vital”.

“O Haiti precisa de seus parceiros. É um esforço coletivo, e as Nações Unidas estão aqui para ajuda, coordenar, atuar e trabalhar com organizações não governamentais, com autoridades e instituições nacionais”, disse Benlamlih, que descreveu o suporte de contribuidores estrangeiros como “absolutamente necessário”.

Desde 2010, a epidemia de cólera afetou diretamente 805 mil haitianos e deixou mais de 9,4 mil mortos, segundo estatísticas oficiais de 11 de março de 2017. Iniciativas nacionais e internacionais, apoiadas pela ONU, levaram a uma redução de 90% no número de casos suspeitos da doença, na comparação com o pico da epidemia em 2011.


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