ONU confirma túneis clandestinos na fronteira Líbano-Israel; não há ponto de saída em território israelense

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) confirmou a existência de ao menos dois túneis cruzando a “Linha Azul” – demarcação fronteiriça entre Líbano e Israel –, mas acrescentou que eles “não parecem até agora” ter pontos de saída levando à superfície em território israelense, afirmou o chefe para operações de paz das Nações Unidas na quarta-feira (19) ao Conselho de Segurança.

O representante permanente de Israel na ONU, Danny Danon, falou ao Conselho de Segurança sobre o que seria uma ameaça em andamento pelo grupo militante Hezbollah, sediado no Líbano, ao seu país. Israel acusa o grupo de ter cavado os túneis.

Capacete-azul da ONU patrulha a "Linha Azul" no sul do Líbano. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Capacete-azul da ONU patrulha a “Linha Azul” no sul do Líbano. Foto: ONU/Eskinder Debebe

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) confirmou a existência de ao menos dois túneis cruzando a “Linha Azul” – demarcação fronteiriça entre Líbano e Israel –, mas acrescentou que eles “não parecem até agora” ter pontos de saída levando à superfície em território israelense, afirmou o chefe para operações de paz das Nações Unidas na quarta-feira (19) ao Conselho de Segurança.

Em briefing ao Conselho de Segurança, Jean-Pierre Lacroix afirmou que uma investigação minuciosa para estabelecer as trajetórias e pontos de origem dos túneis “é uma tarefa complexa”, à medida que estes estão de 29 a 46 metros abaixo do solo, são difíceis de serem detectados e estão próximos de áreas sensíveis às duas partes.

“Embora os túneis não pareçam ter pontos de saída no lado israelense, eles são uma violação séria da resolução 1701”, disse.

“A UNIFIL está agindo judicialmente para completar suas investigações dos túneis – com equipes técnicas em solo – e para trabalhar com ambas as partes para garantir que quaisquer túneis que estejam em violação à resolução sejam desativados de forma segura e decisiva.”

Lacroix também informou o Conselho que, desde o início, a UNIFIL buscou “avaliar com precisão” as violações relatadas, assim como trabalhar com ambas as partes para manter a calma ao longo da Linha Azul.

Elogiando as Forças de Defesa de Israel (IDF) e as Forças Armadas Libanesas (LAF) pelo compromisso de seguir acordos estabelecidos de coordenação e evitar quaisquer escaladas, o chefe para operações de paz da ONU alertou, no entanto, que “potencial para enganos (…) não pode ser subestimado”.

“As partes foram lembradas que atividades provocativas ao longo da Linha Azul e retóricas acentuadas contribuem para um ambiente de riscos aumentados”, afirmou.

Lacroix disse ao Conselho de Segurança que a missão da ONU observou manifestações próximas de Meis al-Jabal, algumas delas lideradas por membros do Parlamento do Líbano e com alguns manifestantes “cruzando” a Linha Azul.

Em uma ocasião separada, em 17 de dezembro, em relação aos trabalhos realizados pela IDF ao sul da Linha Azul, um soldado libanês teria inclinado sua arma em direção a soldados israelenses.

Então, tanto soldados israelenses quanto libaneses tomaram posições e apontaram armas, levando a aumento de tensões, afirmou, acrescentando que a situação foi desagravada pela intervenção de oficiais da UNIFIL, que estavam presentes.

“A UNIFIL enviou tropas adicionais e equipes de comunicação para locais delicados ao longo da Linha Azul. A UNIFIL irá continuar auxiliando as partes a manter a calma e cumprir suas obrigações sob a resolução 1701”, acrescentou.

A representante permanente do Líbano, Amal Mudallali, disse a membros do Conselho de Segurança que seu governo está levando muito a sério a descoberta dos túneis, e garantiu que seu país não é responsável por quaisquer violações.

Ao mesmo tempo, ela destacou, Israel não deve tirar vantagem da questão para prejudicar a estabilidade do Líbano.

Ela também pediu para o Conselho de Segurança neutralizar a situação, destacando que esta é a “única maneira” de manter a calma de acordo com a resolução 1701, adotada como meio para encerrar hostilidades entre Israel e o Hezbollah, assim como uma retirada em fases da IDF do sul do Líbano.

Danny Danon, representante permanente de Israel, descreveu o que disse ser uma ameaça em andamento apresentada pelo grupo militante Hezbollah, sediado no Líbano, ao seu país. Israel acusa o grupo de ter cavado os túneis, e Danon afirmou que Israel nunca irá permitir que as ameaças se concretizem.

Ele afirmou ao Conselho de Segurança que após os túneis serem descobertos por forças israelenses, a UNIFIL foi devidamente informada, dizendo que informações foram enviadas então para autoridades libanesas. Danon afirmou que o Hezbollah se esforçou para “esconder” os túneis e pediu para o Conselho de Segurança denunciar o Hezbollah como organização terrorista.