ONU condena violência das forças de segurança israelenses contra palestinos em Gaza

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O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou nesta terça-feira (15) o que chamou de “terrível e mortal” violência na Faixa de Gaza na segunda-feira (14), quando ao menos 58 palestinos foram mortos e 1,3 mil foram feridos com munição letal pelas forças de segurança israelenses na área próxima à cerca que separa a Faixa de Gaza de Israel.

“Ressaltamos, novamente, que a força letal só pode ser usada como último recurso, não como primeiro, e somente quando há uma ameaça imediata à vida ou de ferimentos graves. Uma tentativa de se aproximar, atravessar ou danificar a cerca não representa ameaça à vida ou de ferimentos graves e não é motivo suficiente para o uso de munição real. Este é também o caso no que diz respeito ao lançamento de pedras e de coquetéis molotov à distância contra forças de segurança bem protegidas localizadas atrás de posições defensivas”, disse o porta-voz do ACNUDH.

Protestos na Faixa de Gaza no dia 14 de maio de 2018. Foto: OCHA

Protestos na Faixa de Gaza no dia 14 de maio de 2018. Foto: OCHA

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou nesta terça-feira (15) o que chamou de “terrível e mortal” violência na Faixa de Gaza na segunda-feira (14), quando ao menos 58 palestinos foram mortos e 1,3 mil foram feridos com munição letal pelas forças de segurança israelenses.

Dos feridos, 155 estão em estado crítico. Seis crianças e um agente de saúde estavam entre os que morreram, e dez jornalistas foram feridos a bala, segundo comunicado do ACNUDH emitido pelo porta-voz da organização, Rupert Colville.

“O sistema de saúde já em ruínas em Gaza foi submetido a uma pressão inacreditável, e os feridos que correm risco de morrer enfrentam um cenário de pesadelo na ausência de leitos hospitalares adequados e de serviços médicos. Ainda estamos testemunhando casos em que os manifestantes feridos são efetivamente impedidos por Israel de sair de Gaza para receber tratamento.”

“As regras sobre o uso da força no direito internacional foram repetidas muitas vezes, mas parecem ter sido ignoradas diversas vezes. Parece que qualquer pessoa pode ser morta ou ferida: mulheres, crianças, pessoal da imprensa, socorristas, espectadores, em qualquer ponto de até 700 metros da cerca”, disse o porta-voz do ACNUDH.

Os assassinatos ocorreram na segunda-feira (14) durante protestos perto da cerca na fronteira entre Gaza e Israel, coincidindo com uma cerimônia que reuniu autoridades para marcar a controversa transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. Os palestinos veem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado.

Na segunda-feira, vários manifestantes se aproximaram da cerca, jogaram pedras, coquetéis molotov e pipas encharcadas de gasolina contra oficiais das forças de segurança israelenses. Alguns tentaram danificar a cerca que separa a Faixa de Gaza de Israel e outros queimaram pneus. As forças israelenses responderam com gás lacrimogêneo, balas de borracha e vários tipos de munição real, que em alguns casos causaram ferimentos graves e deixaram pessoas incapacitadas.

“Ressaltamos, novamente, que a força letal só pode ser usada como último recurso, não como primeiro, e somente quando há uma ameaça imediata à vida ou de ferimentos graves. Uma tentativa de se aproximar, atravessar ou danificar a cerca não representa ameaça à vida ou de ferimentos graves e não é motivo suficiente para o uso de munição real. Este é também o caso no que diz respeito ao lançamento de pedras e de coquetéis molotov à distância contra forças de segurança bem protegidas localizadas atrás de posições defensivas.”

“Mais uma vez, exigimos investigações independentes e transparentes em todos os casos de morte e lesão desde 30 de março. Desde 30 de março, 112 palestinos, incluindo 14 crianças, perderam suas vidas na (área próxima à) cerca e milhares ficaram feridos”, disse. “Estamos extremamente preocupados com o que pode acontecer hoje – um dia emocional para os dois lados – e nas próximas semanas. Pedimos máxima moderação. Basta”, concluiu.

Secretário-geral da ONU manifestou-se na segunda-feira (14)

Após informações de que dezenas de palestinos foram assassinados pelas forças israelenses quando protestavam na fronteira com a Faixa de Gaza na segunda-feira (14), o secretário-geral da ONU pediu que as duas partes no conflito Israel-Palestina demonstrem moderação.

“O secretário-geral da ONU está profundamente alarmado pela forte escalada de violência no Território Palestino Ocupado e com o alto número de palestinos mortos e feridos nos protestos em Gaza”, disse o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, em comunicado.

“As forças de segurança de Israel precisam exercitar a máxima moderação no uso de munição letal. O Hamas e os líderes das manifestações têm a responsabilidade de evitar ações violentas e provocações”, disse o comunicado.

Foi o maior número de mortos palestinos em um só dia desde que as manifestações lideradas pelo Hamas começaram na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, em 30 de março. Também foi o maior número de mortos desde o conflito no enclave em 2014.

Durante seis semanas de manifestações, as quais os organizadores chamaram de “Grande Marcha do Retorno”, milhares de palestinos reuniram-se na fronteira para protestar contra o bloqueio econômico de longa data contra o enclave. Israel acusou o Hamas, a Jihad Islâmica e outros militantes de usar os protestos — incluindo mulheres, crianças e idosos civis — como pretexto para se infiltrar em Israel e realizar ataques terroristas.

No protesto de segunda-feira, muitos palestinos protestavam contra a decisão oficial dos EUA de transferir sua embaixada. O Comitê da ONU para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino não reconhece a alegação de Israel de que toda a cidade de Jerusalém é sua capital.

O Comitê considera que o status de Jerusalém precisa ser estabelecido por meio de negociações que levem em conta as preocupações políticas e religiosas dos dois lados. “Com as tensões em alta e mais manifestações esperadas para os próximos dias, é imperativo que todos demonstrem máxima moderação para evitar mais perdas de vidas, incluindo garantir que todos os civis, e particularmente crianças, não sejam colocadas em risco”, disse o vice-porta-voz da ONU.

“A violência em curso ressalta a necessidade urgente de uma solução política. O secretário-geral da ONU reitera que não há outra alternativa viável a não ser a solução dos dois Estados, com Palestina e Israel vivendo lado a lado em paz, cada um com sua capital em Jerusalém”, acrescentou.

Enquanto isso, o órgão da ONU que monitora a implementação da convenção para eliminar a discriminação racial instou Israel, que é um Estado-parte, a cessar imediatamente o uso desproporcional da força contra os manifestantes palestinos na Faixa de Gaza, abster-se de qualquer ato que possa levar a mais mortes e garantir acesso imediato e desimpedido ao tratamento médico para os feridos.

O órgão — conhecido como Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial — também instou Israel a iniciar uma investigação imparcial e independente sobre o uso da força contra os manifestantes palestinos e garantir que todos os palestinos tenham plenos direitos sob a Convenção, sem discriminação.


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