ONU condena destruição de patrimônio cultural em Palmira pelo Estado Islâmico

Imagem do sítio arqueológico de Palmira registrada em abril de 2016 pela missão da UNESCO. Foto: UNESCO

Em meio à destruição do patrimônio cultural da Síria pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), incluindo o tetrápilo e parte do anfiteatro romano da antiga cidade de Palmira, o Conselho de Segurança reiterou na semana passada (20) a necessidade de derrotar o grupo armado e erradicar a violência e o ódio que o ISIL promove.

Em comunicado, o grupo de 15 membros do Conselho expressou preocupação com os relatos de execuções em massa ocorridas antes de o teatro ser danificado e com a segurança de milhares de residentes da cidade.

“É alarmante o fato do ISIL e outras entidades associadas à Al-Qaeda terem gerado rendimentos provenientes da participação direta ou indireta no furto ou contrabando de bens do patrimônio cultural de sítios arqueológicos, museus, bibliotecas, arquivos e outros bens na Síria, e usá-los para apoiar seus esforços de recrutamento e sua capacidade operacional de realizar ataques”, destacou o Conselho.

O organismo das Nações Unidas também enfatizou a necessidade de levar os autores desses delitos à Justiça.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) também condenou a destruição na cidade síria e pediu à comunidade internacional que fique unida contra a destruição cultural.

A diretora-geral da agência da ONU, Irina Bokova, chamou a destruição de “um novo crime de guerra” e afirmou ser uma imensa perda para o povo sírio e para a humanidade.

“A proteção do patrimônio é inseparável da proteção de vidas humanas. Devemos todos nos unir para colocar essa ideia no centro de todos os esforços para a continuação da paz”, destacou Bokova.

“Esse novo golpe contra a herança, a apenas algumas horas dos vários relatos de execuções em massa no teatro, mostra que a destruição cultural liderada por extremistas violentos está tentando destruir vidas humanas e monumentos históricos, a fim de privar o povo sírio de seu passado e de seu futuro”, continuou.

Um oásis no deserto sírio, a nordeste de Damasco, Palmira contém ruínas monumentais de uma grande cidade que foi um dos mais importantes centros culturais do mundo antigo. Durante os séculos I e II, a arte e a arquitetura da região misturou técnicas greco-romanas com tradições locais e influências persas.

Em 2015, o Conselho de Segurança, condenando a destruição e o contrabando do patrimônio cultural na Síria e no Iraque pelo ISIL, aprovou uma resolução que, entre outros pontos, proíbe a comercialização de antiguidades roubadas desses países.

O documento também pede medidas para assegurar que tais itens sejam devolvidos a seus países de origem, e solicita a participação da Interpol, da UNESCO e de outras organizações nesses esforços.