ONU condena demolições de residências palestinas que deixaram 31 desabrigados na Cisjordânia

Apenas em 2016, mais de 700 palestinos foram deslocados em função de demolições promovidas por Israel na Cisjordânia. Operação desta semana ocorreu em comunidade de beduínos que sofria assédio de assentamento ilegal.

Suspensão da entrega de cimento a Gaza também preocupa ONU. Região precisa de material para reconstruir casas e infraestrutura.

Criança na comunidade de beduínos onde demolições ocorreram nesta semana. Foto: UNRWA

Criança na comunidade de beduínos onde demolições ocorreram nesta semana. Foto: UNRWA

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) condenou as demolições em massa realizadas na quarta-feira (6) por autoridades israelenses, na comunidade de refugiados beduínos de Um al Khayr, em Hebron. Expropriações deixaram desabrigados 31 palestinos, entre eles, 16 crianças.

Apenas em 2016, mais de 700 palestinos tiveram suas residências demolidas por Israel na Cisjordânia. O número está se aproximando do total de pessoas que foram deslocadas em todo o ano de 2015, segundo o diretor de Operações da UNRWA na Cisjordânia, Lance Bartholomeusz.

A comunidade atingida já havia enfrentado diversas demolições, além de lidar com episódios de assédio envolvendo o assentamento próximo de Karmel, que é ilegal.

O representante da agência descreveu as demolições como “injustificáveis” e ressaltou que as operações violam o direito internacional. “Conforme a ONU (já) disse repetidamente, essas demolições têm que parar”, afirmou.

Suspensão da entrega de cimento a Gaza também preocupa ONU

No início da semana (4), o enviado da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, falou sobre a suspensão, determinada por Israel, de entregas de cimento a companhias privadas da Faixa de Gaza. A interrupção das remessas teria sido motivada por denúncias de que uma quantidade substancial do material teria sido desviada e entregue a outras partes que não os seus beneficiários legítimos.

“Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossas contrapartes dos governos palestino e israelense para auxiliar na resolução da situação, a fim de prevenir incidentes que poderiam levar a qualquer suspensão futura de importações”, informou.

Mladenov disse ainda que as pessoas de Gaza dependem do fornecimento de material de construção para reparar e reconstruir suas casas danificadas e destruídas devido ao conflito de 2014. Recursos também permitiriam fortalecer a infraestrutura e projetos de desenvolvimento necessários na região.

“Aqueles que procurarem ganhar pelo desvio de materiais estão roubando de seu próprio povo e aumentando o sofrimento dos palestinos em Gaza”, alertou o enviado, que lembrou que a reconstrução de Gaza é fundamental para assegurar sua estabilidade.