ONU condena atentado suicida a campo militar de Gao, no Mali: ‘ataque direto’ ao processo de paz

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou veementemente atentado suicida contra um campo militar na cidade de Gao, no norte do Mali, que deixou pelo menos 50 mortos e dezenas de feridos. Segundo a ONU, os ataques são uma tentativa de minar processo de paz alcançado em 2015.

Membros das forças de paz ruandeses da Missão das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) patrulham as ruas de Gao, no norte do Mali. Foto: ONU/Marco Dormino

Membros das forças de paz ruandeses da Missão das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) patrulham as ruas de Gao, no norte do Mali. Foto: ONU/Marco Dormino

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou veementemente o atentado suicida realizado nessa quarta-feira (18) contra um campo militar na cidade de Gao, no norte do Mali, que deixou pelo menos 50 mortos e dezenas de feridos.

De acordo com a Missão das Nações Unidas no país, pouco antes das 9h, um veículo explodiu dentro do campo do Mecanismo de Coordenação Operacional em Gao. O acampamento abriga as Forças Armadas do Mali e a Plataforma e Coordenação dos Movimentos de Azawad, encarregados de liderar as patrulhas conjuntas previstas pelo Acordo de Paz e Reconciliação de 2015.

Num comunicado emitido por seu porta-voz, Guterres ofereceu suas sinceras condolências ao governo do Mali e às famílias em luto e aos militares. Ele também desejou uma recuperação rápida para os feridos e pediu uma ação rápida para levar os responsáveis pelo ataque à justiça.

As patrulhas mistas constituem uma medida de segurança provisória fundamental do acordo de paz, cujo objetivo é reduzir a insegurança no norte do Mali enquanto se aguarda o restabelecimento total da autoridade do Estado. “O secretário-geral insta as partes a continuar trabalhando para implementar plenamente as disposições do acordo de paz e a fazer todo o possível para evitar tais ataques”, disse o porta-voz de Guterres.

“Este ato desprezível reforça a determinação das Nações Unidas em apoiar o povo do Mali, o governo e os grupos armados signatários em sua busca pela paz, sua luta contra o terrorismo e seus esforços para manter o acordo de paz”, concluiu.

Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, o chefe de Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, condenou o bombardeio, que denunciou como um “ataque direto” ao processo de paz e uma tentativa de minar os recentes progressos em matéria de segurança.

“Condenamos com a maior firmeza este ataque covarde e ignóbil […] que visou claramente prejudicar o processo de paz, minando a confiança entre as partes signatárias e o povo”, bem como “contrariar os recentes progressos na implementação dos arranjos de segurança dos acordos de paz”, afirmou.

“Este incidente sublinha mais uma vez que a aceleração da implementação do [acordo] continua a ser a única via possível para alcançar a paz e a reconciliação no Mali, e uma vez mais exorto todas as partes signatárias a participar plenamente na sua implementação. Não temos muito tempo”, acrescentou Ladsous.


Comente

comentários