ONU condena ataques na Síria; enviado especial afirma não ser momento para retomada de negociações

Um dia após ataque a três instalações médicas, enviado especial das Nações Unidas para a crise na Síria afirma que preparativos para nova rodada de negociações ainda estão em andamento, mas ressalta aprovação de acesso a 15 áreas sitiadas.

Ajuda humanitária sendo descarregada em East Ghouta, Síria (maio de 2016). Foto: OCHA

Ajuda humanitária sendo descarregada em East Ghouta, Síria (maio de 2016). Foto: OCHA

O enviado especial das Nações Unidas responsável por mediar uma solução para a crise síria, Staffan de Mistura, disse na última quinta-feira (9) que ainda não é o momento de reiniciar as rodadas de negociações de paz na Síria, apesar de afirmar que o prazo de 1º de agosto ainda é possível.

Ele disse que os preparativos ainda estão em andamento, naquilo que ele chamou de “reuniões técnicas”.

Tais reuniões não aconteceriam em Genebra e ele não estaria diretamente envolvido, embora os membros de sua equipe movimentem-se para vários locais, a fim de ter discussões técnicas com “qualquer pessoa que tenha sido mencionada” na resolução 2254 do Conselho de Segurança, ou qualquer um que tenha sido um “contribuidor útil” na preparação das negociações, disse o enviado especial.

A fala aconteceu um dia após a ala humanitária das Nações Unidas lamentar os recentes ataques a três instalações médicas que fizeram dezenas de vítimas, sendo que uma delas era uma instalação pediátrica.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) afirmou que, desde abril, ataques ocorridos na cidade e nos arredores de Alepo deixaram centenas de pessoas mortas ou feridas.

O escritório da ONU enfatizou que a instabilidade também tem causado danos em escolas, hospitais e outras infraestruturas civis, além de prejudicar as operações de ajuda humanitária.

O acesso a áreas sitiadas e a ajuda humanitária

O enviado especial destacou que, de 19 áreas listadas, 15 áreas receberam a aprovação de acesso do governo sírio. Foram 17 requisições como parte do plano de junho, sendo que as únicas localidades que não receberam aprovação foram Al Wa’er e Zabadani.

Outras duas áreas estão sob cobertura da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

De Mistura enfatizou que a ajuda já chegou a cerca de 270 mil pessoas em áreas isoladas e, em parceria com o UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 900 mil crianças com menos de 5 anos foram vacinadas.

O aumento da violência em Alepo, na Síria, está tirando a vida de refugiados palestinos e destruindo casas de civis, além de danificar e destruir instalações civis como hospitais e escolas. Foto: UNRWA

O aumento da violência em Alepo, na Síria, está tirando a vida de refugiados palestinos e destruindo casas de civis, além de danificar e destruir instalações civis como hospitais e escolas. Foto: UNRWA

O enviado especial disse ter recebido informações sobre a soltura de um “número substancial de combatentes”, e de que a Rússia teria desarmado minas em uma área de cerca de 26 quilômetros quadrados.

Sobre a questão da ajuda por vias aéreas, ele disse que um pedido oficial foi feito ao governo da Síria no dia 5 de junho.

Ataques recentes

A agência humanitária cobrou o bem-estar dos refugiados palestinos em todo o Oriente Médio e também lamentou a violência na área de Alepo, estendendo suas condolências às famílias em luto.

Segundo a UNRWA, um jovem de 14 anos morreu ao ter sua casa atingida por um foguete no dia 4, enquanto no dia anterior um palestino de 41 anos morreu dentro de um ônibus comercial ao ser atingido por um tiro.

A agência salientou que intensos combates envolvendo o uso de armas pesadas e bombardeios continuam a danificar e destruir casas de civis, e a pôr em perigo a vida dos refugiados palestinos.

“A agência reitera as suas exigências para que todas as partes se abstenham de expor os civis a esses riscos. Para salvar a vida de civis, é imperativo que todos os lados respeitem e cumpram as suas obrigações internacionais de direito humanitário”, acrescentou a UNRWA.