ONU condena ataque que deixou ao menos 134 mortos no Mali

As Nações Unidas condenaram veementemente o ataque armado a um vilarejo na região central do Mali, que, segundo relatos, deixou ao menos 134 mortos e dezenas de feridos no sábado (23).

“Condenamos nos mais fortes termos este ataque indescritível”, disse François Delattre, embaixador da França nas Nações Unidas, falando como presidente do Conselho de Segurança, em entrevista à imprensa no sábado na capital do Mali, Bamako.

Delegação do Conselho de Segurança da ONU e chefe da missão da ONU no Mali (MINUSMA) durante coletiva de imprensa na capital do país, Bamako, em 23 de março de 2019. Foto: MINUSMA/Harandane Dicko

Delegação do Conselho de Segurança da ONU e chefe da missão da ONU no Mali (MINUSMA) durante coletiva de imprensa na capital do país, Bamako, em 23 de março de 2019. Foto: MINUSMA/Harandane Dicko

As Nações Unidas condenaram veementemente o ataque armado a um vilarejo na região central do Mali, que, segundo relatos, deixou ao menos 134 mortos e dezenas de feridos no sábado (23).

“Condenamos nos mais fortes termos este ataque indescritível”, disse François Delattre, embaixador da França nas Nações Unidas, falando como presidente do Conselho de Segurança, em entrevista à imprensa no sábado na capital do Mali, Bamako.

Uma delegação do Conselho esteve no país durante a semana passada como parte de uma missão à região do Sahel, na África. A viagem terminou no domingo na Burkina Faso.

Localizado em Mopti, região central do Mali, o vilarejo de Ogossou-Peulh foi atacado na manhã de sábado por homens armados vestidos como caçadores tradicionais, de acordo com a imprensa internacional.

Chamando o ataque de uma “barbaridade indescritível”, Kakou Houadja Leon Adom, embaixador da Costa do Marfim na ONU, expressou condolências às famílias das vítimas, assim como ao povo e ao governo do país. A Costa do Marfim organizou a visita ao Mali, junto a França e Alemanha.

Paralelamente, um porta-voz da ONU afirmou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, estava chocado por relatos de que ao menos 134 civis, incluindo mulheres e crianças, tinham sido mortos. Segundo os relatos, ao menos 55 pessoas ficaram feridas no ataque.

“O secretário-geral condena este ato e pede para autoridades do Mali investigarem isto rapidamente e levarem os autores à Justiça”, de acordo com comunicado, segundo o qual o chefe da ONU expressou suas condolências às famílias das vítimas.

O secretário-geral pediu pra autoridades “redobrarem seus esforços para retomar paz e estabilidade na região central do Mali”.

Em comunicado separado, o chefe da missão integrada da ONU no Mali (MINUSMA), Mahamat Saleh Annadif, pediu fim de uma espiral de violência no país e relatou que, como parte do mandato de proteção de civis da missão, uma força de resposta rápida foi enviada ao local. A missão também trabalha para garantir que feridos sejam levados para a cidade vizinha de Sévaré.

“Esta tragédia infelizmente nos lembra de que os desafios são muitos”, disse Annadif.

Violência mortal aumenta na região de Mopti

A região de Mopti tem sido palco de violência mortal desde o começo do ano.

Em 16 de março, o acampamento das Forças Armadas do Mali no vilarejo de Dioura foi atacado e diversos soldados foram mortos. Em 26 de fevereiro, 10 pessoas da comunidade dogon foram mortas em um ataque ao vilarejo de Gondogourou. Antes disso, em 1º de janeiro, 37 pessoas foram executadas no vilarejo fulani de Kulugon por elementos armados não identificados.

Em entrevista à imprensa, o embaixador Delattre relembrou, no contexto de uma recente resolução do Conselho de Segurança estendendo a MINUSMA até o final de junho, que a questão no centro do Mali é parte integral do mandato da operação de paz.

“A MINUSMA deve apoiar o Estado do Mali através da proteção de civis”, disse, em resposta a uma pergunta de um jornalista.

A situação na região central do Mali foi assunto de diversos encontros de membros do Conselho de Segurança em Bamako.

“A mensagem unânime que recebemos é a de que é essencial quebrar esta dinâmica negativa entre as diferentes comunidades e fazer de tudo para tentar recriar um ciclo virtuoso”, disse o embaixador.

UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também se manifestou sobre o ataque no Mali. A organização afirmou estar “profundamente entristecida e indignada com o fato de que crianças estão entre as vítimas”.

“Muitas das crianças feridas foram evacuadas para instalações de saúde para tratamento. O UNICEF está no local ajudando a fornecer primeiros-socorros, medicamentos e alimentos terapêuticos”, afirmou em comunicado a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

As crianças do Mali estão pagando o preço mais alto pela intensificação da violência no centro do país. Desde 2017, o aumento da insegurança levou a um aumento das mortes, mutilações e recrutamento de crianças. A violência baseada em gênero também está em ascensão.

“As crianças também estão cada vez mais privadas de educação e cuidados de saúde essenciais, uma vez que a violência está causando o fechamento de escolas e comprometendo o acesso aos centros de saúde”, disse Henrietta.

“O UNICEF pede com veemência a todas as partes para que ponham imediatamente fim à violência e mantenham as crianças fora de perigo. O direito das crianças à proteção contra todas as formas de violência deve ser mantido em todos os momentos.”