ONU condena ataque no Afeganistão que deixou mais de 40 mortos, incluindo dois juízes

Atentado do Talibã atingiu um tribunal da província de Farah e tinha como alvo funcionários do Governo. Dois juízes e seis promotores foram mortos.

Representante Especial do Secretário-Geral para o Afeganistão, Ján Kubiš. Foto: UNAMA/Tilak Pokharel

Representante Especial do Secretário-Geral para o Afeganistão, Ján Kubiš. Foto: UNAMA/Tilak Pokharel

O Representante Especial do Secretário-Geral para o Afeganistão, Ján Kubiš, condenou na quinta-feira (4) um ataque mortal cometido pelo grupo islâmico Talibã no dia anterior (3) contra funcionários do governo em um tribunal da província de Farah, no sudoeste do país, e reiterou a necessidade de todas as partes envolvidas no conflito de proteger a população civil.

Pelo menos 41 pessoas foram mortas no ataque, segundo o último boletim, a maioria funcionários do Governo — incluindo dois juízes e seis promotores. Mais de 100 pessoas ficaram feridas. O ataque é o mais mortal contra civis afegãos desde dezembro de 2011.

O atentado teria o objetivo de libertar 15 prisioneiros talibãs que estavam sendo transferidos para o tribunal para julgamento. O Talibã reivindicou a responsabilidade pelo ataque, afirmando que pretende atingir os trabalhadores civis nos tribunais e promotorias.

Kubiš afirmou que o Talibã já havia se comprometido a proteger os civis, e que a “proteção civil exigida” é estabelecida pelo direito internacional, e não uma questão a ser discutida.

“O Direito internacional humanitário define civis como todos aqueles que não tomam parte direta nas hostilidades e que não são combatentes, como por exemplo, os funcionários públicos civis”, observou a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA) em um comunicado. “Os ataques contra civis são proibidos em todos os momentos e podem constituir crimes de guerra”, completou.