ONU comemora reunião de avó argentina com seu neto, desaparecido há 36 anos

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participa, em 2008, em abertura de exposição em Buenos Aires com Carlotto, o presidente da Argentina na época, sua esposa, Cristina de Kirchner e outras autoridades. Foto: ONU/Ryan Brown

Diversos especialistas em direitos humanos da ONU pediram, nesta sexta-feira (08), que os governos em todo o mundo apoiem as famílias de pessoas desaparecidas e as organizações que os representam na busca de seus entes queridos.

O pedido foi feito após a reunião de Estela de Carlotto, presidente da organização de direitos humanos argentina, as Abuelas de la Plaza de Mayo, com seu neto, depois de 36 anos. O neto nasceu em 1978, quando a filha de Carlotto, Laura, tinha desaparecido e estava nas mãos do regime militar. Apenas algumas horas após seu nascimento, o bebê foi tirado de sua mãe, que mais tarde foi assassinada, transformando-se em uma das 500 crianças desaparecidas durante a ditadura militar na Argentina entre 1976 e 1983. Destas, 114 já foram localizadas.

“Este acontecimento na vida de Carlotto traz esperança e encoraja todas as famílias do mundo que continuam incansavelmente em busca de seus entes queridos”, disseram os especialistas. “É essencial que os familiares das pessoas desaparecidas e as organizações que os representam sejam totalmente apoiadas pelo Estado, que deve assumir sua obrigação de garantir os direitos à verdade, à justiça e à reparação.”

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, também falou sobre este assunto e disse estar “muito contente com as novidades de que a defensora de direitos humanos e avó argentina, Estela de Carlotto descobriu a identidade de seu neto, após décadas de perseverança”.

“A coragem, perseverança e determinação demonstradas durante três décadas pelas avós das crianças desaparecidas na Argentina continuam inspirando defensores de direitos humanos em todo o mundo”, afirmou Pillay.