ONU cobra que Austrália garanta direitos de refugiados em ilha usada para triagem de estrangeiros

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O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou neste mês (22) que a situação de refugiados e solicitantes de refúgio permanece perigosa na ilha de Manus, em Papua Nova Guiné, onde o governo da Austrália mantinha uma unidade de triagem de estrangeiros. Apesar da desativação das instalações, em 31 de outubro, cerca de 800 refugiados continuam vivendo em “condições altamente inseguras”, segundo o ACNUR.

Solicitante de refúgio entra nas antigas instalações do centro de triagem de refugiados da Austrália, mantido na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné. Foto: ACNUR/Vlad Sokhin

Solicitante de refúgio entra nas antigas instalações do centro de triagem de refugiados da Austrália na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné. Foto: ACNUR/Vlad Sokhin

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou neste mês (22) que a situação de refugiados e solicitantes de refúgio permanece perigosa na ilha de Manus, em Papua Nova Guiné, onde o governo da Austrália mantinha uma unidade de triagem de estrangeiros. Apesar da desativação das instalações, em 31 de outubro, cerca de 800 refugiados continuam vivendo em “condições altamente inseguras”, segundo o ACNUR.

“Ao longo das últimas quatro semanas, pelo menos cinco incidentes foram relatados pro refugiados, requerentes de asilo, equipes de segurança, política local e membros da comunidade”, afirmou a porta-voz do organismo internacional, Cécile Pouilly. O ACNUR cobrou que a Austrália cumpra suas responsabilidades para com a população de deslocados forçados deixada na ilha.

O episódio mais sério dessa sequência aconteceu em 10 de dezembro, quando três homens, armados com facões e um machado, tentaram invadir o assentamento West Lorengau, onde 150 refugiados e solicitantes de refúgios estão abrigados.

O grupo foi impedido por seguranças do local de causar qualquer mal aos moradores. Todavia, dois deles foram logo em seguida a outro acampamento, de Hillside Haus. A dupla entrou no novo assentamento com um cassetete e uma faca, sem ser impedida pelos agentes de segurança. Os agressores gritaram palavras de ordem para que os refugiados e solicitantes deixassem a área.

“A remoção forçada de refugiados e solicitantes de refúgio no dia 22 de novembro da unidade australiana (de triagem), agora desativada, infligiu mais trauma nas pessoas que já haviam sofrido enormemente, (passando por) violência e perseguição em seu próprio país, seguidas de quatro anos de detenção na ilha de Manus”, acrescentou a representante do ACNUR.

As condições de saúde dessa população também estão apresentando piora, segundo a agência da ONU. Segundo um relatório encomendado pelo ACNUR, o bem-estar físico e mental dos deslocados forçados tem se deteriorado e há um risco crescente de violência e automutilação devido ao efeito cumulativo de incertezas sobre o futuro, falta de soluções, suspensão de serviços vitais, condições precárias de habitação e higiene e assistência médica inadequada.

O documento também chama atenção para a pressão que tem sido colocada sobre a comunidade de acolhimento e os recursos locais, em especial sobre o sistema de saúde e sobre o hospital.


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