ONU cobra investigação de mortes em protestos no Irã e pede libertação de manifestantes presos

Em pronunciamento nesta quarta-feira (3), o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu às autoridades do Irã que libertem todos os manifestantes presos arbitrariamente ou penalizados por protestar de forma pacífica.

Bandeiras do Irã. Foto: Flickr (CC)/yeowatzup

Bandeiras do Irã. Foto: Flickr (CC)/yeowatzup

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu às autoridades do Irã nesta quarta-feira (3) que lidem com a atual onda de protestos “com muito cuidado” de modo a “não inflamar ainda mais” o contexto de violência e instabilidade no país. O dirigente cobrou que todas as mortes e casos de agressão grave registrados até o momento sejam investigados.

“Estou profundamente perturbado com os relatos de que mais de 20 pessoas, incluindo um menino de 11 anos, morreram e centenas foram presas durante a onda recente de protestos no Irã”, afirmou Zeid.

“As autoridades iranianas têm de respeitar os direitos de todos os manifestantes e detentos, incluindo seu direito à vida, e têm de garantir sua segurança. Tem de haver investigações completas, independentes e imparciais de todos os atos de violência que aconteceram e um esforço coordenado da parte das autoridades para garantir que todas as forças de segurança respondam de maneira proporcional e estritamente necessária (aos protestos), em pleno acordo com o direito internacional.”

O chefe de direitos humanos da ONU enfatizou que cidadãos iranianos que estão indo às ruas para expressar seu descontentamento têm o direito de ser ouvidos. Para o alto-comissário, problemas trazidos à tona pelos iranianos devem ser resolvidos através de diálogo, com respeito total pela liberdade de expressão e pelo direito de reunião pacífica.

“Compete às autoridades que suas ações não provoquem uma deterioração do cenário de violência, como ocorreu em 2009”, alertou Zeid. “As autoridades têm que tomar todas as medidas para garantir que isso não aconteça de novo.”

O alto-comissário pediu às autoridades iranianas que libertem da detenção quaisquer manifestantes que foram arbitrariamente privados de sua liberdade ou penalizados de qualquer forma por expressar suas opiniões e protestar de maneira pacífica. “Protestos pacíficos não podem ser criminalizados”, acrescentou Zeid. “Eles são uma parte legítima do processo democrático.”

Secretário-geral pede respeito a direitos de manifestantes

Também nesta quarta-feira (3), o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar acompanhando “com preocupação” os últimos acontecimentos no Irã. Em nota divulgada por seu porta-voz, o dirigente máximo da Organização “deplorou” as mortes nos protestos.

Guterres pediu respeito pelos direitos à reunião pacífica e à liberdade de expressão e também solicitou que todas as manifestações ocorram de maneira pacífica. “Mais (casos de) violência tem de ser evitada”, disse o comunicado do chefe das Nações Unidas.