ONU cita falta de independência em julgamento do assassinato de jornalista saudita

O julgamento criminal na Arábia Saudita de suspeitos de envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi não cumpre as exigências de um inquérito independente e internacional solicitado pela alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, informou seu escritório na sexta-feira (4).

“Nós, como vocês sabem, estamos pressionando por justiça no caso Khashoggi há meses. Estamos pedindo uma investigação, uma investigação independente, com envolvimento internacional, e isto ainda não aconteceu”, disse a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, concede coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, concede coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

O julgamento criminal na Arábia Saudita de suspeitos de envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi não cumpre as exigências de um inquérito independente e internacional solicitado pela alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, informou seu escritório na sexta-feira (4).

Falando a jornalistas em Genebra, Ravina Shamdasani, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), confirmou que seu escritório está ciente de que o julgamento está sendo feito.

“Nós, como vocês sabem, estamos pressionando por justiça no caso Khashoggi há meses. Estamos pedindo uma investigação, uma investigação independente, com envolvimento internacional, e isto ainda não aconteceu”.

De acordo com relatos, 11 réus foram a julgamento na capital saudita, Riad, na quinta-feira (3).

Cinco suspeitos enfrentam pena de morte se condenados pelo assassinato de Khashoggi, que era um crítico ao Reino e não foi visto desde que visitou o consulado saudita em Istambul na tarde de 2 de outubro de 2018.

Shamdasani confirmou que o escritório do Alto Comissariado conversou “diversas vezes” com autoridades sauditas sobre o caso Khashoggi, antes de destacar a postura de seu escritório sobre o pedido do procurador público saudita para pena de morte.

“Agora, embora estejamos cientes de que um julgamento acontece na Arábia Saudita, isto não é o suficiente, em primeiro lugar”, declarou. “Em segundo lugar, nós somos contra a imposição de pena de morte em todas as circunstâncias”.

A porta-voz do ACNUDH destacou que seu escritório não possui representação oficial na Arábia Saudita.

“Nós não estamos presentes na Arábia Saudita para poder avaliar estes julgamentos, então, não podemos dar uma avaliação nos julgamentos nós mesmos”.