ONU celebra, pela primeira vez, Dia Internacional em homenagem às vítimas de genocídios no mundo

Ao longo do Dia Internacional, comemorado em 9 de dezembro, dirigentes da ONU chamaram a atenção para os perigos da xenofobia, da intolerância e da discriminação religiosa e étnica.

Um muçulmano lamenta a morte do filho em Vitez, na Bósnia-Hezergóvina . Os massacres de 1995 no país são uns dos poucos considerados como genocídios por cortes internacionais. Outro caso enquadrado nessa categoria são as mortes em Ruanda, em 1994. Foto: ONU /John Isaac

Um muçulmano lamenta a morte do filho em Vitez, na Bósnia-Hezergóvina . Os massacres de 1995 no país são uns dos poucos considerados como genocídios por cortes internacionais. Outro caso enquadrado nessa categoria são as mortes em Ruanda, em 1994. Foto: ONU /John Isaac

Nesta quarta-feira (9), as Nações Unidas celebraram, pela primeira vez, o Dia Internacional de Homenagem e Dignidade das Vítimas do Crime de Genocídio. Ao longo da cerimônia de comemoração da data, representantes da ONU pediram à comunidade internacional que tome atitudes para combater a intolerância, a xenofobia e a hostilidade. O dia 9 de dezembro marca a adoção, há 67 anos, da Convenção sobre a Prevenção e a Punição dessa forma de violência.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que, atualmente, uma dinâmica perigosa do “nós contra eles” tem sido explorada para justificar a exclusão de comunidades étnicas e religiosas, entre outras, vítimas de restrições dos direitos humanos e de “atos atrozes de violência”. O chefe das Nações Unidas afirmou que os genocídios não são “parte de um resultado acidental de conflitos; mais frequentemente, são sistemáticos, planejados, com alvos precisos e também podem ocorrer fora de situações de conflito”.

Para o presidente da Assembleia das Nações Unidas, Mogens Lykketoft, a data deve lembrar o comprometimento e as promessas assumidas pelos signatários da Convenção. Medidas nacionais e regionais devem ser adotadas para construir sociedades inclusivas, onde “o crime dos crimes” conseguirá ser prevenido. “Sempre que repetimos a frase ‘nunca mais’ depois de um genocídio, nós, de fato, admitimos um fracasso monumental e vergonhoso”, disse.

O assessor especial sobre prevenção de genocídio, Adama Dieng, lembrou sua visita recente a uma comunidade Yazidi e a outros agrupamentos de minorias, no Iraque, durante o mês de novembro. “Fiquei profundamente comovido pelas histórias que eles partilharam sobre os horrores por que passaram – mortes, estupro, tortura, deslocamento forçado e a destruição de suas comunidades – simplesmente por causa das crenças que eles possuem, simplesmente por causa de quem eles são”, afirmou.

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, destacou que 2015 foi um ano de “sofrimento agonizante” na Síria, no Iêmen, na República Centro-Africana, no Sudão do Sul, no Mali, no Iraque e em outros lugares. O representante também ressaltou que a discriminação e a xenofobia estão recrudescendo, em especial, por conta das ações violentas de terroristas e extremistas. “É importante que as sociedades democráticas não caiam na armadilha de tais provocações para dividir-nos enquanto seres humanos”, afirmou.