ONU caminhará junto ao Haiti rumo ao desenvolvimento sustentável, diz vice-chefe da organização

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A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, e a enviada especial do secretário-geral para o Haiti, Josette Sheeran, realizaram uma visita de três dias no Haiti que terminou no último domingo (5).

Elas se comprometeram com mais ajuda para superar o cólera, bem como mais assistência ao governo haitiano para alcançar os objetivos mais abrangentes da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed (à esquerda), e a enviada especial para o Haiti, Josette Sheeran (canto superior esquerdo), em encontro com famílias haitianas afetadas pela cólera. Foto: ONU Haiti

Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed (à esquerda), e a enviada especial para o Haiti, Josette Sheeran (canto superior esquerdo), em encontro com famílias haitianas afetadas pela cólera. Foto: ONU Haiti

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, e a enviada especial do secretário-geral para o Haiti, Josette Sheeran, realizaram uma visita de três dias no Haiti que terminou no último domingo (5).

Elas se comprometeram com mais ajuda para superar o cólera, bem como mais assistência ao governo haitiano para alcançar os objetivos mais abrangentes da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

“A ONU percorrerá este caminho junto ao Haiti”, disse Mohammed no Twitter, referindo-se ao trabalho que está sendo feito no país para torná-lo um país emergente até 2030, prazo estabelecido por todos os países para alcançar a agenda e seus 17 objetivos (conhecidos como ODS).

A delegação de alto nível foi enviada pelo secretário-geral, António Guterres, para reafirmar o compromisso das Nações Unidas com o povo haitiano num “novo espírito de parceria”.

Num artigo de opinião publicado semana passada no “Miami Herald”, o chefe da ONU disse que a parceria abrangerá todo o trabalho da organização na ilha – incluindo o contínuo esforço para superar a cólera e os “incidentes inaceitáveis” de exploração sexual e abuso por parte de funcionários da ONU –, visando ajudar o país a passar “de uma abordagem emergencial a soluções duradouras, de assistência a apoio ao investimento, de panfletos e comunicados a cooperação lado a lado, à democracia e dignidade para todos os haitianos”.

No sábado, a vice-secretária-geral reiterou o “novo espírito de parceria” mencionado por Guterres: “Viemos para tentar achar uma forma de fazer as coisas melhor, pois o que fizemos no passado não foi suficiente. Não conseguimos cumprir com o que planejamos”, disse Mohammed numa coletiva de imprensa junto ao presidente do Haiti, Jovenel Moise, em Porto Príncipe, capital do país.

A visita das duas representantes da ONU aconteceu pouco depois do anúncio de Susan Page, dos Estados Unidos, como representante especial do secretário-geral e chefe da Missão da ONU para o apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH). A nova missão sucedeu a Missão de Estabilização, conhecida como MINUSTAH, no dia 16 de outubro.

O papel da nova missão da ONU será assessorar e dar apoio ao governo haitiano para fortalecer as instituições do Estado de Direito, continuar desenvolvendo a capacitação da polícia nacional e promover os direitos humanos.

ONU reafirma compromisso para erradicar a cólera

Como parte fundamental da visita, as duas representantes da ONU se reuniram com famílias afetadas pela cólera e que estão lidando com a falta de acesso à água e saneamento.

Mohammed e Sheeran também copresidiram uma reunião do Comitê de Alto Nível para a Eliminação da Cólera (HLCC), junto ao primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant. O governo haitiano e as funcionárias da organização expressaram sua determinação para trabalhar em colaboração e zerar os casos de transmissão do cólera no país.

Também manifestaram o compromisso em alcançar os ODS, incluindo melhorar o acesso à água, saneamento e serviços de saúde.

Enquanto os casos de transmissão de cólera diminuíram significativamente – de 18 mil casos por semana no início da epidemia, em 2010, a 250 casos por semana este ano –, o sucesso do esforço precisará de mais financiamento para manter o trabalho altamente eficaz das equipes de resposta de emergência, e do compromisso de lutar contra a cólera no médio e no longo prazo, segundo as lideranças da reunião.

Num pedido da vice-secretária-geral aos países-membros da ONU, Mohammed enfatizou durante a reunião que atacar a raiz das causas da cólera no Haiti é fundamental para alcançar os ODS.

“Além disso, no prazo imediato, solicitamos urgentemente os fundos necessários para garantir a operação contínua e a rápida resposta das equipes. O fracasso em agir urgentemente colocaria em risco tudo o alcançado até agora”, disse Mohammed.

A vice-secretária-geral e a enviada especial também testemunharam os esforços de “muitos heróis” que estão trabalhando para erradicar a doença. A visita das duas representantes foi também uma oportunidade para aprender sobre os bem-sucedidos programas de controle da cólera, incluindo em comunidades que acabaram com a defecação a céu aberto e se mobilizaram para construir banheiros e aumentaram a conscientização sobre a importância do saneamento.


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