ONU Brasil conclui segunda edição de projeto de formação para pessoas trans no DF

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A ONU Brasil, a partir da Campanha Livres & Iguais, concluiu nesta semana (3) a segunda edição do projeto Trans-Formação, cujo objetivo é fortalecer lideranças e formar redes entre ativistas trans no Distrito Federal e entorno.

A iniciativa, cuja primeira edição ocorreu no ano passado, durou quatro meses e formou 30 pessoas trans — entre travestis, mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias — com idade entre 17 e 55 anos. Houve oficinas sobre educação, saúde, empregabilidade, mídia, direitos humanos, autocuidado e participação social.

Projeto Trans-Formação

A ONU Brasil, a partir da Campanha Livres & Iguais, concluiu nesta semana (3) a segunda edição do projeto Trans-Formação, cujo objetivo é fortalecer lideranças e formar redes entre ativistas trans no Distrito Federal e entorno.

A iniciativa, cuja primeira edição ocorreu no ano passado, durou quatro meses e formou 30 pessoas trans — entre travestis, mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias — com idade entre 17 e 55 anos. Houve oficinas sobre educação, saúde, empregabilidade, mídia, direitos humanos, autocuidado e participação social.

“É um espaço de formação política, empoderamento, inclusão e convívio social onde essas pessoas trans interagem diretamente com alguns órgãos e seus respectivos representantes”, disse Natália Vasconcelos, participante da primeira edição do projeto e atualmente representante da Rede Trans Brasil no DF.

As oficinas foram complementadas por um programa de “mentorias”, que ligou cada participante a um mentor ou mentora, integrante de uma instituição que pudesse contribuir para o ativismo trans local, nacional ou internacionalmente.

Entre os participantes do projeto, o estudante de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Rafael Duarte, teve como mentor o representante adjunto do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Yves Sassenrath. O “apadrinhamento” permitiu ao jovem de 19 anos fazer uma imersão na rotina da agência da ONU e conhecer todas as áreas programáticas do escritório em Brasília.

“O mais importante foi entender como o diplomata precisa ser versátil, prestativo e ambicioso. Eu quero seguir com a área de Direitos Humanos e ver como se estrutura a organização foi fundamental”, contou Rafael.

Para Sassenrath, considerar a população trans ao formular políticas públicas é fundamental para garantir que os avanços alcancem os mais diversos grupos sociais. Para o dirigente, ser mentor trouxe novos aprendizados. “A experiência de dois anos de Trans-Formação só reforça os ideais das Nações Unidas. Ao adotarmos a Agenda 2030, compramos o desafio de não deixar ninguém para trás. Ser mentor do Rafael foi, para mim, uma grande oportunidade. Nós trocamos muitas experiências sobre a vida profissional.”

A segunda edição da iniciativa foi organizada por uma parceria entre Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), ANAVTrans, coletiva Corpolítica, Rede Trans Brasil, Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT), União Libertária de Travestis e Transexuais (ULTRA), Governo do Distrito Federal e Ministério Público do Trabalho (MPT).

Cenário nacional e internacional

No Brasil, o movimento LGBTI conquistou direitos importantes recentemente. O uso do nome social é regulamentado por um decreto que determina seu respeito em toda a administração pública e, em 2018, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu o direito de retificar o nome e o gênero sem a necessidade de processos judiciais ou intervenções médicas.

Em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade da lista de doenças mentais na nova versão da Classificação Internacional de Doenças, a CID-11. Entretanto, as pessoas trans seguem lidando com inúmeros desafios e, sobretudo, têm ficado para trás quanto à garantia de seus direitos humanos e da participação no processo de desenvolvimento.

“Na realidade atual onde nós, pessoas trans e travestis, enfrentamos preconceitos e portas fechadas, a ONU se mostra acolhedora e aliada a essa população ao promover o projeto Trans-Formação”, disse Natália.

“Esta segunda edição do Trans-Formação foi para mim mais que um aprendizado, foi um desafio, onde aprendi a conviver com outras gerações e suas histórias de luta e superação”, disse Rubi Martins, participante da primeira edição da iniciativa e integrante da coordenação da nova edição.

“Estamos muito honrados por participar de mais um Trans-Formação. O projeto tem promovido uma grande mudança na nossa estrutura institucional”, comentou a defensora pública do Distrito Federal, Karoline Leal, e mentora na iniciativa.

Já para Murilo Bernardo, participante da segunda edição, o projeto “não foi apenas um curso, e sim a oportunidade incrível de conhecer outrxs trans e debater sobre os nossos direitos”.

Saiba mais

Conheça ativistas trans que estão lutando pela igualdade no Brasil – https://www.unfe.org/pt-pt/savinglives/
Ser um aliado trans é mais fácil que você pensa – https://www.unfe.org/pt-pt/transally/


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