ONU aprova plano para garantir natureza pacífica do programa nuclear do Irã

“Este é um desenvolvimento importante e encorajador após vários anos de pouco ou nenhum progresso”, afirma o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano.

“Este é um desenvolvimento importante e encorajador após vários anos de pouco ou nenhum progresso”, afirma o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano.

Agência Internacional de Energia Atômica realiza reunião de seu Conselho em sua sede em Viena, na Áustria, em 24 de janeiro de 2014. Foto: AIEA/Dean Calma

Agência Internacional de Energia Atômica realiza reunião de seu Conselho em sua sede em Viena, na Áustria, em 24 de janeiro de 2014. Foto: AIEA/Dean Calma

Chefe da agência nuclear da ONU disse nesta sexta-feira (24) que o plano de ação, recentemente formulado, é um importante passo para amenizar as preocupações internacionais sobre o programa nuclear do Irã.

Em novembro de 2013, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos concordaram em um plano de ação conjunto com o Irã que busca alcançar “uma solução mutuamente acordada, de longo prazo e que assegure que o programa nuclear do Irã será exclusivamente pacífico”. O plano prevê que a Agência da ONU realize o monitoramento e a verificação de uma série de “medidas voluntárias” a serem tomadas pelo Irã durante um período de seis meses.

“Este é um desenvolvimento importante e encorajador após vários anos de pouco ou nenhum progresso”, afirmou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, em uma coletiva de imprensa em Viena.

O programa nuclear do Irã – que o governo tem afirmado ser para fins pacíficos, mas alguns países afirmam ser impulsionado por ambições militares – tem sido motivo de preocupação internacional desde a sua descoberta, em 2003. O país tinha escondido suas atividades nucleares por 18 anos, violando as suas obrigações nos termos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Ao relatar para o Conselho de Governadores as implicações do novo plano de ação, Amano informou que a Agência precisará de quase o dobro dos recursos humanos atuais dedicados à verificação no Irã além de precisar aumentar significativamente a frequência das atividades de verificação atualmente realizadas.

“Nossos inspetores terão acesso a locais adicionais. Precisaremos adquirir e instalar mais equipamentos de proteção e analisar mais amostras. E o volume do trabalho de análise e elaboração de relatórios vai aumentar”, alertou Amano.

Este esforço adicional resultará em um aumento de custos para a Agência estimado em cerca de 6 milhões de euros para os próximos seis meses.

“Acredito que esta nova fase de trabalho no Irã será mais um passo importante no sentido de alcançar uma solução abrangente para a questão nuclear iraniana. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido”, ressaltou Amano.