ONU aposta em hidropônica para ajudar refugiados do Saara Ocidental a desenvolver pecuária

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Em apenas sete dias, a hidropônica permite obter pasto verde e fresco a partir de sementes que precisam de quantidades mínimas de água e que dispensam o uso de fertilizantes. Na Argélia, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) usa a tecnologia para driblar a escassez de recursos hídricos e de terra nos cinco campos de refugiados do Saara Ocidental próximos a Tindouf. Entre a população, a má nutrição crônica afeta um em cada quatro indivíduos.

Animais de criação conseguem alimento com a adoção de técnicas de hidroponia em comunidades de refugiados do Saara Ocidental, na Argélia. Foto: PMA/Nina Schroeder

Animais de criação conseguem alimento com a adoção de técnicas de hidroponia em comunidades de refugiados do Saara Ocidental, na Argélia. Foto: PMA/Nina Schroeder

Na Argélia, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) usa a tecnologia para driblar a escassez de água e de terra nos cinco campos de refugiados do Saara Ocidental. Localizadas perto da cidade argelina de Tindouf, em uma região desértica, as comunidades de deslocados forçados adotaram técnicas de hidropônica para cultivar pasto e alimentar seus animais de criação. Entre a população “sahrawi” — nome dado aos povos do Saara Ocidental —, a má nutrição crônica afeta um em cada quatro indivíduos.

“Como eles (os sahrawi) são completamente dependentes de assistência (humanitária) alimentar, eles raramente têm meios para alimentar seus animais. Com isso, muito frequentemente, os animais acabam comendo lixo, o que leva à produção de carne e leite de baixo valor nutricional”, explica a gerente de projetos da Aceleradora de Inovações do PMA, Nina Schroeder. O resultado, segundo a especialista, é um ciclo vicioso de subnutrição.

Em apenas sete dias, a hidropônica permite obter pasto verde e fresco a partir de sementes que precisam de quantidades mínimas de água e que dispensam o uso de fertilizantes. Cada unidade de hidropônica pode produzir, por dia, até 60 quilos de vegetais que viram comida para caprinos e bovinos. Uma unidade pode alimentar até 20 animais e melhorar a subsistência de sete famílias refugiadas.

Hidropônica consome até 90% menos recursos hídricos do que práticas agrícolas convencionais. Foto: PMA/Nina Schroeder

Hidropônica consome até 90% menos recursos hídricos do que práticas agrícolas convencionais. Foto: PMA/Nina Schroeder

Com a hidroponia, as culturas crescem em soluções aquosas, enriquecidas com substâncias nutritivas para as plantas, que chegam se desenvolvem até duas vezes mais rápido do que em cultivos tradicionais. As unidades de hidropônica podem ser mantidas com energia solar e permitem controlar aspectos como luminosidade, temperatura e irrigação com mais precisão do que em plantações no solo. O modelo usa até 90% menos recursos hídricos do que práticas agrícolas convencionais.

As plantações são gerenciadas pelos próprios sahrawi, que recebem treinamento técnico de equipes do PMA. Diferentemente de intervenções pontuais, que envolvem sobretudo a distribuição direta de alimentos, essa abordagem é considerada “altamente inovadora” pela agência da ONU, uma vez que oferece aos deslocados forçados a oportunidade de se sustentar — e de, progressivamente, tornar-se menos dependentes da ajuda internacional.

O Saara Ocidental é um território sob disputa entre o Marrocos e grupos locais, que desejam se separar do país. Os refugiados sahwari vivem em zonas remotas, onde as condições climáticas são duras e impõem desafios à produção de alimentos. O projeto do PMA teve início em 2016, com uma fase de testes, e começou a ser replicado em diferentes comunidades de deslocados em maio de 2017.


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