ONU apoia mobilização de saúde para levar vacinas e nutrição a crianças em Moçambique

Mobilização do governo, com apoio do UNICEF e da OMS, levou vacinas para mais de meio milhão de meninos e meninas moçambicanos. Foto: UNICEF

Quase dois meses após a passagem do ciclone Idai por Moçambique, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiaram o governo local, na semana passada, a realizar uma “semana de saúde” em resposta aos desafios vividos pela população. Iniciativa levou vacinas, remédios e suplementação alimentar para mais de meio milhão de meninos e meninas afetados pela tempestade tropical.

Mais de 700 mil crianças foram vacinadas contra a pólio e mais de 650 mil, contra o sarampo e a rubéola. Profissionais também realizaram ações de desparasitação em mais de 550 mil crianças.

As equipes de saúde forneceram ainda suplementos de vitamina A para quase 700 mil crianças e suplementos de ferro e ácido fólico para mais de 650 mil meninas adolescentes. Quase 700 mil crianças foram examinadas para a detecção de casos de desnutrição aguda e encaminhamento aos serviços de tratamento adequados, quando necessário.

Liderada pelas autoridades moçambicanas, as ações se concentraram em 21 dos distritos mais atingidos pelo Idai, nas províncias de Sofala, Manica, Inhambane e Zambézia.

O UNICEF elogiou o notável esforço das equipes de saúde para superar todas as barreiras e chegar às comunidades afetadas pela tempestade e também pelo ciclone Kenneth, que atingiu Moçambique em 25 de abril.

“Crianças com menos de cinco anos e mulheres grávidas enfrentam riscos de saúde e nutrição perigosos após a devastação causada pelos dois ciclones em Moçambique”, disse Michel Le Pechoux, representante adjunto do fundo da ONU em Moçambique.

“A campanha da Semana de Saúde é um passo significativo no restabelecimento dos serviços básicos”, acrescentou o dirigente.

A cantora moçambicana Neyma, embaixadora do UNICEF em Moçambique, juntou-se à equipe técnica da agência da ONU e participou de sessões de esclarecimento e mobilização social na Rádio Moçambique e em rádios comunitárias. Atividades com a artista também foram promovidas em unidades móveis multimídia, com o objetivo de explicar a importância da adesão aos serviços promovidos pela campanha.

Mais e mais famílias estão voltando para as suas casas devastadas ou estão sendo reassentadas em áreas mais seguras. Mas mesmo nessas regiões, a infraestrutura básica e os serviços precisam ser construídos do zero. Muitos moçambicanos perderam tudo.

“O UNICEF está comprometido em trabalhar com o Ministério da Saúde e outros parceiros e com as comunidades para garantir que todas as crianças sejam vacinadas e recebam o apoio vitamínico e nutricional necessário para sobreviver e prosperar e (para garantir) que o seu direito a cuidados de saúde primários de qualidade seja cumprido”, afirmou Le Pechoux.

Resposta ao ciclone Kenneth

Nas áreas atingidas pelo Kenneth, o UNICEF tem trabalhado intensamente com parceiros para apoiar os esforços do governo na prevenção da cólera e de outras doenças transmitidas pela água. A tempestade causou grandes danos aos sistemas de energia das áreas urbanas, usados para fornecer água. Nas zonas rurais, as fortes chuvas contaminaram muitos poços e pontos de abastecimento, tornando-os inutilizáveis.

“Prevenir a propagação da cólera e da diarreia aquosa aguda é fundamental para salvar a vida de crianças nestes primeiros dias após o ciclone Kenneth”, explicou James McQuen Patterson, chefe de Saúde do UNICEF em Moçambique.

“As crianças são especialmente vulneráveis às doenças diarreicas e, trabalhando com especialistas em água e saneamento, comunicação e saúde, estamos correndo contra o tempo para garantir que o aumento dos casos de cólera seja evitado. Nós só podemos ter sucesso trabalhando em equipe.”

Imediatamente após o ciclone, o UNICEF e seus parceiros começaram a fornecer água limpa para famílias em abrigos temporários. A rápida restauração de alguns sistemas urbanos de abastecimento e o tratamento de fontes de água em regiões agrícolas foram as principais conquistas iniciais.

A agência da ONU e organizações colaboradoras também distribuíram produtos químicos para o tratamento de água pelas próprias famílias, beneficiando 134 mil pessoas em locais críticos para a transmissão da cólera na cidade de Pemba.

Para evitar a propagação da doença, o UNICEF, instituições do governo e da sociedade civil mantêm equipes de resposta que se deslocam com rapidez para áreas com casos notificados, desinfetando residências e fortalecendo o tratamento da água nos bairros.

No último domingo (12), o UNICEF enviou doses de vacina oral contra a cólera para imunizar 250 mil pessoas nas áreas afetadas pelo Kenneth. A imunização foi obtida com o apoio financeiro da Aliança Global para Vacinas (GAVI).

Às vésperas Campanha de Vacinação contra a Cólera, que começou nesta quinta-feira (16), equipes apoiadas pelo UNICEF implementaram programas de conscientização e divulgação, trabalhando em estreita colaboração com líderes religiosos e comunitários.

“A campanha de vacina oral contra a cólera, de dois estágios, é outro passo fundamental para deter a propagação da cólera, ao mesmo tempo em que mantemos o nosso foco na provisão de água potável, saneamento e higiene”, completou Le Pechoux.