ONU: apesar dos reveses, Estado Islâmico continua sendo ‘sério desafio global’

Apesar dos sérios reveses militares, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh) ainda tem cerca de 20 mil combatentes e continua sua perigosa transformação em uma rede global secreta, enquanto se concentra nas atividades de suas ramificações regionais, segundo informações recebidas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

De acordo com relatório da ONU, apesar de uma grande perda de território, ainda existem milhares de membros do ISIL no Iraque e na Síria. Um número significativo de militantes afiliados ao ISIL também está presente em Afeganistão, Sudeste Asiático, África Ocidental e Líbia, e em menor grau em Sinai, Iêmen, Somália e Sahel.

Exército nigeriano patrulha deserto do Saara em busca de grupos terroristas, incluindo ISIL e Boko Haram. Foto: UNICEF/Gilbertson V

Exército nigeriano patrulha deserto do Saara em busca de grupos terroristas, incluindo ISIL e Boko Haram. Foto: UNICEF/Gilbertson V

Apesar dos sérios reveses militares, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL / Da’esh) ainda tem cerca de 20 mil combatentes e continua sua perigosa transformação em uma rede global secreta, enquanto se concentra nas atividades de suas ramificações regionais, segundo informações recebidas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Essas foram as principais descobertas de um novo relatório apresentado ao Conselho de Segurança na quinta-feira (23) por altos funcionários das Nações Unidas contra o terrorismo.

O relatório detalhou como os Estados-membros e o Sistema ONU continuam a fortalecer, refinar e promover o uso efetivo de ferramentas e medidas para enfrentar a crescente ameaça transnacional representada pelo grupo terrorista e suas afiliadas.

Vladimir Voronkov, subsecretário-geral do Escritório de Contra-Terrorismo da ONU, disse que apesar de ter sido derrotado militarmente no Iraque e estar em retirada na Síria, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, também conhecido como ISIL, permanece sendo uma preocupação séria e significativa.

Voronkov foi acompanhado por Michèle Coninsx, diretora-executiva do Comitê de Contra-Terrorismo da ONU (CTED). Os dois altos funcionários dividiram o relatório em três principais áreas, assegurando aos membros do Conselho que “a luta global contra o ISIL e suas afiliadas continua”.

Em primeiro lugar, Voronkov disse que, apesar de uma grande perda de território, ainda existem cerca de 20 mil membros do ISIL no Iraque e na Síria, e se espera que um núcleo de combatentes permaneça graças ao conflito e à instabilidade em curso. Um número significativo de militantes afiliados ao ISIL também está presente no Afeganistão, no Sudeste Asiático, na África Ocidental e na Líbia, e em menor grau no Sinai, no Iêmen, na Somália e no Sahel.

O ISIL continua a exercer presença e influência em um amplo espectro de países e regiões: a Indonésia foi atingida por uma série de atentados suicidas em maio, enquanto na Europa há preocupação com mensagens criptografadas e radicalização nas prisões.

O grupo terrorista está tentando expandir sua presença no Afeganistão. Voronkov revelou que durante sua missão em Cabul, a capital afegã, em 14 e 15 de agosto, o presidente Ashraf Ghani propôs uma conferência de alto nível na cidade no ano que vem, com apoio de parceiros, para desenvolver uma estratégia regional de combate ao terrorismo com foco no Afeganistão.

Em segundo lugar, enquanto o fluxo de combatentes estrangeiros do ISIL voltando para casa é mais lento do que o esperado, os perigos da experiência que eles tiveram com a fabricação de bombas em zonas de conflito (como a preparação de dispositivos explosivos improvisados ​​e drones armados) são uma grande preocupação.

Ex-combatentes em seus países de origem têm o potencial de radicalizar outras pessoas, seja no sistema prisional ou na sociedade em geral, e os Estados-membros continuam a ter dificuldades em avaliar os riscos que eles representam e devem desenvolver estratégias personalizadas para seu retorno e realocação.

E terceiro, a evolução do ISIL (de uma estrutura de proto-Estado para uma rede secreta) levou as finanças do grupo para o subsolo, tornando-as muito mais difíceis de detectar: ​​ainda têm a capacidade de canalizar fundos através das fronteiras, muitas vezes através de países intermediários, até seu destino final.

Citando o relatório, Voronkov observou que os Estados-membros e a comunidade internacional devem renovar seus esforços para combater a crescente ameaça global do ISIL.

Dentro da ONU, várias entidades estão trabalhando em conjunto para combater o grupo, abordando áreas críticas como o financiamento do terrorismo, cooperação judicial internacional, repressão, reabilitação e reintegração.

Coninsx acrescentou que a ONU está apoiando os Estados-membros com as tecnologias mais atualizadas para proteger suas fronteiras, fornecendo orientação para o uso efetivo dessas tecnologias em total conformidade com a lei internacional de direitos humanos.

“Também continuamos forjando novas e inovadoras parcerias com o setor privado, incluindo em particular na área de tecnologias de informação e comunicação”, disse ela, enfatizando que tal envolvimento é essencial, por exemplo, no que diz respeito à coleta de evidências digitais em casos de terrorismo.