ONU anuncia detalhes da investigação sobre conflito no Sri Lanka

Governo do Sri Lanka declarou vitória sobre rebeldes em maio de 2009, depois de um conflito civil que durou quase três décadas. Investigação será realizada com ou sem cooperação local.

Martti Ahtisaari, Silvia Cartwright e Asma Jahangir, que participarão das investigações. Foto: ONU/Stephenie Hollyman, Mark Garten, Jean-Marc Ferre

Martti Ahtisaari, Silvia Cartwright e Asma Jahangir, que participarão das investigações. Foto: ONU/Stephenie Hollyman, Mark Garten, Jean-Marc Ferre

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, anunciou nesta quarta-feira (25) que três peritos concordaram em aconselhar e apoiar a equipe criada para conduzir uma investigação completa sobre as supostas violações de direitos humanos no Sri Lanka, conforme determinou o Conselho de Direitos Humanos em março.

A investigação irá avaliar as alegadas violações e abusos de direitos humanos e crimes relacionados por ambas as partes no Sri Lanka, durante os últimos anos do conflito armado.

O governo do Sri Lanka declarou vitória sobre os rebeldes Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE), em maio de 2009, depois de um conflito civil que durou quase três décadas e deixou milhares de pessoas mortas.

Os especialistas são Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia e Prêmio Nobel da Paz, que também serviu como diplomata e mediador das Nações Unidas e é conhecido por seu trabalho pela paz internacional; Silvia Cartwright, o ex-governador-geral e juiz da Alta Corte da Nova Zelândia; e juiz das Câmaras Extraordinárias dos Tribunais do Camboja, bem como ex-membro do Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher; e Asma Jahangir, ex-presidente da Associação de Advogados da Suprema Corte do Paquistão e da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, já cumprindo vários mandatos no Conselho de Direitos Humanos; foi membro de um órgão de averiguação recente sobre os assentamentos israelenses.

“Estou orgulhoso de que três desses distintos especialistas concordaram em ajudar nesta investigação importante e desafiadora”, disse Pillay. “Cada um deles traz não só a grande experiência e especialização, mas os mais elevados padrões de integridade, independência, imparcialidade e objetividade para essa tarefa.”

Os especialistas irão desempenhar um papel de apoio e de consultoria, assessoria e orientação, bem como a verificação independente ao longo da investigação.

A equipe de investigação com o qual irá trabalhar será composta de 12 funcionários, incluindo investigadores, especialistas forenses, um especialista em gênero, um analista legal e vários outros funcionários com habilidades especializadas. Será operacional durante um período de 10 meses, até meados de abril de 2015.

“Mais uma vez, eu incentivo o governo e o povo do Sri Lanka a cooperar plenamente com a investigação, que pode ajudar a lançar luz sobre a verdade, e fazer avançar a prestação de contas e a reconciliação no Sri Lanka”, disse a alta comissária, acrescentando que a investigação iria acontecer mesmo sem a cooperação local.