ONU: América Latina e Caribe avançam em direção à cobertura universal de tratamento antirretroviral

Para atingir a cobertura universal, um país precisa oferecer tratamento para mais de 80% dos infectados pelo HIV. Sete países já conseguiram, incluindo o Brasil, e mais 11 estão no caminho.

Foto: Agência Brasil

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Três em cada quatro pessoas recebem tratamento antirretroviral (TAR) na América Latina e no Caribe, afirmou um novo relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) lançado na quarta-feira (27). Isso significa uma melhoria de 10% em apenas dois anos e coloca a América Latina e o Caribe à frente de todas as outras regiões em desenvolvimento no nível de cobertura do tratamento.

“A América Latina e o Caribe lideram o mundo no fornecimento e na expansão do tratamento antirretroviral com base em inovação tecnológica e evidência científica”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, no prefácio do relatório “Tratamento Antirretroviral em Destaque: uma Análise da Saúde Pública na América Latina e no Caribe em 2013”.

O relatório é o segundo de uma série e compara dados de 2010 com dados mais recentes, mostrando que, em dois anos, os países da região continuam expandindo o acesso ao tratamento antirretroviral e estão perto de fechar as lacunas de cobertura.

Em dezembro de 2012, 725 mil pessoas estavam recebendo o tratamento na região. Isso significa 75% do total de pessoas que necessitam do tratamento na América Latina e no Caribe.

Sete países já alcançaram a cobertura universal (maior do que 80%): Argentina, Barbados, Brasil, Chile, Cuba, Guiana e México.

Outros 11 países estão perto de alcançá-la, cobrindo aproximadamente 70% das pessoas necessitadas: Bahamas, Belize, Costa Rica, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Venezuela.

O relatório também mostra que os países obtiveram progresso para aperfeiçoar o tratamento antirretroviral à medida que muitos passaram a utilizar as recomendações da OPAS/OMS. A partir de 2012, 78% dos adultos que receberam o tratamento de primeira linha estavam sob as recomendações da agência da ONU. Em contrapartida, apenas 39% dos pacientes em tratamento de segunda linha estavam sob as recomendações.

Brasil, Argentina, Belize, Bolívia, Costa Rica, Equador e Honduras estão agora seguindo as recomendações da OMS para fornecer o TAR em uma fase mais precoce da infecção pelo HIV (contagem de células CD4 inferior a 500 células/mm3), tanto para melhorar os resultados dos pacientes quanto para reduzir a transmissão.

Brasil reduz dependência de financiamento externo

O documento destaca o Brasil, onde, em dezembro do ano passado, 297.138 pessoas estavam recebendo tratamento antirretroviral – uma cobertura entre 82% e 93% dos infectados. O país anunciou que planeja em breve adotar uma política de “teste e tratamento”, quando qualquer pessoa diagnosticada com HIV vai receber tratamento antirretroviral.

O relatório também aponta o progresso dos países em reduzir sua dependência de financiamento externo para o TAR. Em 26 de 42 países e territórios analisados, incluindo o Brasil, os serviços de tratamento contra o HIV foram financiados com recursos internos. No entanto, 10 países permanecem “muito dependentes” de financiamento externo, alertou o relatório.

O documento também indica que, em média, 75% dos orçamentos dos países para os cuidados e tratamento do HIV são alocados para a compra de TAR. Em 2012, 45% dos países avaliados, incluindo o Brasil, relataram esgotamento do tratamento antirretroviral – número menor que os 54% em 2010.

Para a região sustentar níveis relativamente altos de cobertura no tratamento antirretroviral e acelerar o progresso em direção a uma cobertura universal, a OPAS/OMS tem trabalhado para os países aumentarem a eficiência, eficácia e sustentabilidade dos programas de TAR.

A estrutura para esses esforços é chamada de “Tratamento 2.0”, uma iniciativa conjunta da OPAS/OMS com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).

Ela se concentra em testes de HIV e aconselhamento expandido, melhores encaminhamentos de pacientes, otimização dos regimes terapêuticos, maximização de adesão de pacientes, participação da comunidade e monitoramento da carga viral dos pacientes.