ONU: América Latina e Caribe apresentam os maiores índices de homicídio do mundo

O documento diz que 165.617 mortes nos países em desenvolvimento da região ocorreram por homicídios, o que significa 28,5 homicídios por 100 mil habitantes. Esta cifra é quatro vezes superior ao índice global de 6,7 por 100 mil habitantes.

Relatório Mundial sobre a Prevenção da Violência 2014. Imagem: OMS/ONUD/UNODC.

Relatório Mundial sobre a Prevenção da Violência 2014. Imagem: OMS/ONUD/UNODC.

Os países de baixa e média renda da América Latina e do Caribe apresentam o maior índice de homicídios do mundo e possuem a maior proporção de homicídios – 75% – cometidos por arma de fogo, relevou o estudo sobre violência interpessoal, lançado na última quarta-feira (10) por várias agências da ONU para marcar o Dia dos Direitos Humanos.

O Relatório Mundial sobre a Prevenção da Violência 2014 estima que 165.617 mortes nos países em desenvolvimento da região ocorreram por homicídios, o que significa 28,5 homicídios por 100 mil habitantes. Esta cifra é quatro vezes superior ao índice global de 6,7 por 100 mil habitantes, e duas vezes maior que as registradas em países em desenvolvimento da África, com o segundo maior índice regional de 10,9 para 100 mil habitantes.

Entre as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os maiores índices de homicídio nas Américas se encontram em Honduras (103,9 por 100 mil), Venezuela (57,6), Jamaica (45,1) e Belize (44,7). Já para os homicídios perpetrados com arma de fogo, a ordem passa para Venezuela (90%), Guatemala (86%), Honduras (84%), Colômbia e Panamá (80%) e El Salvador e Trinidade e Tobago (77%). Em contrapartida, os países com menos predominância de homicídios são Canadá (1,8), Antígua e Barbado (4,4) e Chile (4,6).

“Como grupo, os países em desenvolvimento das Américas dividem uma distinção dúbia ao possuir o índice mais alto de violência interpessoal letal no mundo”, disse o conselheiro sobre desenvolvimento sustentável e segurança humana da Organização Pan-Americana/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Marcelo Korc.

O representante da OPAS/OMS lembrou que muitos países já adotaram medidas para reverter esses índices e “o sofrimento que eles representam” através da implementação de programas de prevenção e tratamento. De fato, os países da região apresentam a maior proporção de planos nacionais de ação para reduzir a violência do que qualquer outra região que a OMS está presente e todos os países da América possuem leis que regulam o uso de armas de fogo.

No entanto, menos de 75% desenvolveram ações especiais de controle de armas pessoais, como o estímulo para a recompra ou programas de destruição.

O Relatório foi produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa das ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime.