ONU alerta: Se violência continuar no atual patamar, crise na Síria vai piorar

PIB do país diminui cerca de 30%. Mais de um terço dos hospitais estão fora de uso. Faltam medicamentos, alimentos, água potável e combustível em muitas regiões.

Sarah, 7 anos, carrega o óleo vegetal, parte do subsídio de alimentos para sua família. Foto: PMA / Abeer Etefa

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) advertiu nesta terça-feira (5) que o conflito na Síria, que em breve entrará em seu terceiro ano, provocará um aumento acentuado no número de pessoas que necessitam de ajuda urgente, incluindo alimentos, água potável e serviços médicos vitais.

A situação na Síria também está se agravando por problemas econômicos já que, segundo a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (ESCWA), o produto interno bruto (PIB) do país caiu cerca de 30% desde o início do levante contra o Presidente Bashar al-Assad, em março de 2011.

“Se a violência continuar nos níveis atuais, podemos, em curto prazo, ver muito mais do que os atuais quatro milhões necessitando de assistência urgente e mais de dois milhões de deslocados internos na Síria”, afirmou o porta-voz do OCHA, Jens Laerke. “As organizações estão se esforçando para chegar a mais pessoas, em mais lugares, com mais ajuda, mas a falta de acesso é ainda um grande obstáculo.”

O conflito também interrompeu os serviços de saúde, e o pessoal de saúde levando medicamentos essenciais também tem tido dificuldade de chegar à capital, Damasco. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o Hospital Nacional foi destruído nos últimos dias. 55% dos hospitais públicos foram danificados e mais de um terço de todos os hospitais estão fora de serviço.

Mais de dois terços das ambulâncias também estão fora de uso e outras estão sendo usadas para fins militares. A falta de combustível e cortes de eletricidade dificultam ainda mais tratamentos médicos.

Ainda segundo a OMS, a falta de água potável e saneamento tem sido associada a um aumento de notificações de hepatite A, leishmaniose e diarreia.