ONU alerta para situação insustentável de centro de acolhimento de refugiados na Grécia

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O governo da Grécia foi instado pelas Nações Unidas a fazer mais para ajudar milhares de solicitantes de refúgio e migrantes que foram “amontoados” em centros de acolhimento nas ilhas no país, em meio a relatos de que crianças tentaram tirar suas próprias vidas diante da situação insustentável.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que divulgou o apelo nesta sexta-feira (31), descreveu os centros como “miseráveis, inadequados e em rápida deterioração”.

No campo de Moria, na ilha de Lesvos, no norte da Grécia, uma frase expressa o desejo de milhões de refugiados e migrantes pelo mundo: ‘Movimento de Liberdade’. Foto: Gustavo Barreto (2016)

No campo de Moria, na ilha de Lesbos, no norte da Grécia, uma frase expressa o desejo de milhões de refugiados e migrantes pelo mundo: ‘Movimento de Liberdade’. Foto: Gustavo Barreto (2016)

O governo da Grécia foi instado pelas Nações Unidas a fazer mais para ajudar milhares de solicitantes de refúgio e migrantes que foram “amontoados” em centros de acolhimento nas ilhas no país, em meio a relatos de que crianças tentaram tirar suas próprias vidas diante da situação insustentável.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que divulgou o apelo nesta sexta-feira (31), descreveu os centros como “miseráveis, inadequados e em rápida deterioração”.

Os níveis de superlotação em algumas ilhas estão em pé de igualdade com março de 2016, quando as taxas de chegada estavam muito mais altas. A maioria dos que buscam abrigo vêm de Síria, Iraque e Afeganistão, segundo a agência da ONU.

A agência da ONU alertou que centenas de meninos e meninas desacompanhados estão particularmente em risco, juntamente com dezenas de mulheres grávidas, recém-nascidos e sobreviventes de violência sexual.

Mais de 3 mil requerentes de refúgio nas ilhas receberam permissão para se mudar para o continente, mas as transferências “têm sido lentas”, disse o ACNUR, devido à falta de acomodações e instalações de recepção.

“A situação está chegando a um ponto de ebulição no centro de Moria, na ilha de Lesbos”, disse o porta-voz do ACNUR, Charlie Yaxley, referindo-se aos Centros de Recepção e Identificação usados ​​para abrigar recém-chegados.

“Mais de 7 mil requerentes de refúgio e migrantes estão amontoados em abrigos construídos para acomodar apenas 2 mil pessoas”, acrescentou. “Vinte e cinco por cento são crianças”.

Há níveis de superlotação similares na ilha grega de Samos, onde cerca de 2,7 mil famílias, principalmente sírias e iraquianas, estão hospedadas em uma instalação originalmente projetada para abrigar cerca de 700 pessoas.

Nas ilhas de Chios e Kos, por sua vez, os centros de recepção estão perto de duplicar sua capacidade pretendida.

“É provável que isso se torne uma séria preocupação se não for resolvido antes do inverno”, disse Yaxley a jornalistas, antes de alertar sobre outras necessidades urgentes.

“Estamos particularmente preocupados com instalações sanitárias totalmente inadequadas, confrontos entre comunidades frustradas, níveis crescentes de assédio sexual e a crescente necessidade de cuidados médicos e psicossociais”, disse ele, observando que um número crescente de pessoas, incluindo crianças, apresentam problemas de saúde mental.

Até agora, neste mês, cerca de 800 requerentes de refúgio foram transferidos para o continente grego. Mas isso não conseguiu aliviar a pressão sobre as instalações de recepção da ilha, já que o número de chegadas aumentou para uma média de 114 por dia, acima dos 83 registrados em julho.

Para ajudar a reduzir os atrasos no transporte de pessoas vulneráveis ​​para o continente grego, o ACNUR continuará a ajudar nesse processo no mês que vem.

“Encorajamos as autoridades gregas, que receberam financiamento europeu para essa situação, a enfrentar esses desafios e acelerar o procedimento e as medidas para descongestionar a ilha o mais rápido possível”, disse Yaxley.

Os dados mais recentes do ACNUR indicam que até agora este ano cerca de 19 mil pessoas vulneráveis ​​chegaram às ilhas gregas a partir da Turquia. Em 2015, o número foi mais de 850 mil.

“É uma situação administrável, é uma questão de vontade política”, disse Yaxley a jornalistas em Genebra, em um apelo aos países da União Europeia para demostrar solidariedade aos que precisam de proteção internacional.


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