ONU alerta para mortes no mar em meio a fuga de pessoas rohingya de Mianmar

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Refugiados continuam fugindo de Mianmar em direção a Bangladesh, após quase três meses desde o início da violência, no final de agosto. Segundo o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), por desespero, muitos estão usando formas inseguras de transporte para escapar.

ONU aponta para “padrão de atrocidades generalizadas”, citando estupros – incluindo coletivos – “nudez pública forçada e escravidão sexual em cativeiro militar direcionada a mulheres e meninas rohingya”.

Segundo o porta-voz do ACNUR, mais de 100 refugiados rohingya morreram afogados em naufrágios e incidentes com embarcações desde o início da crise, em 25 de agosto. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Segundo o porta-voz do ACNUR, mais de 100 refugiados rohingya morreram afogados em naufrágios e incidentes com embarcações desde o início da crise, em 25 de agosto. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Refugiados continuam fugindo de Mianmar em direção a Bangladesh, após quase três meses desde o início da violência, no final de agosto. Segundo o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), William Spindler, por desespero, muitos estão usando formas inseguras de transporte para escapar.

Falando a jornalistas em Genebra, Spindler afirmou que nos últimos 10 dias o ACNUR recebeu relatos de cerca de 30 balsas improvisadas, que carregavam mais de mil pessoas.

Sem ter dinheiro para pagar pela travessia, muitos refugiados estão construindo balsas com qualquer material que conseguem achar, na maioria dos casos bambu e latas vazias amarradas com cordas e cobertas com lençóis de plástico.

Segundo o porta-voz do ACNUR, mais de 100 refugiados rohingya morreram afogados em naufrágios e incidentes com embarcações desde o início da crise.

Já a representante especial do secretário-geral da ONU para Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, pediu mais medidas para proteger e ajudar vítimas de violência sexual entre os deslocados.

Após sua visita a Cox’s Bazar, em Bangladesh, Patten afirmou que suas observações apontam para um “padrão de atrocidades generalizadas”, citando estupros, incluindo coletivos, “nudez pública forçada e escravidão sexual em cativeiro militar direcionada a mulheres e meninas rohingya”.

Segundo o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a crise humanitária causada pela violência no estado de Rakhine, em Mianmar, está causando “sofrimento catastrófico”.

Mais de 600 mil refugiados rohingya atravessaram a fronteira para Bangladesh. O OCHA calcula que o país agora abrigue 800 mil deslocados rohingya.

Em outro comunicado, a Agência da ONU para Migrações (OIM) alertou para o tráfico humano e a exploração sexual e trabalhista em meio à crise de refugiados rohingya que fugiram para Cox’s Bazar.

De acordo com entrevistas e pesquisas feitas pela agência nos acampamentos improvisados do distrito, homens, mulheres e crianças desesperados estão sendo recrutados com ofertas falsas de trabalho remunerado em diversas indústrias como pesca, comércio, mendicância e, no caso das meninas, trabalho doméstico.

Segundo a OIM, quase sem nenhuma fonte alternativa de renda, os refugiados estão dispostos a aceitar qualquer oportunidade que lhes seja oferecida, até as arriscadas, perigosas e que envolvem seus filhos.

A agência alertou que, quando começam essas atividades, normalmente descobrem que não recebem o que foi prometido. Muitas vezes, eles são privados de sono, são forçados a trabalhar mais horas do que o combinado e não tem permissão de deixar o local de trabalho ou entrar em contato com suas famílias. Mulheres e meninas são muitas vezes sujeitas a abusos físicos ou sexuais.

Chefe da ONU discute situação de rohingiyas em Manila

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, se reuniu no último dia 13 de novembro com a conselheira da República da União de Mianmar, Aung San Suu Kyi, durante o Encontro de Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A reunião ocorreu em Manila, nas Filipinas. No encontro bilateral, Guterres conversou com a conselheira de Estado sobre a situação na região de Rakhine, em Mianmar.

Nesta foto tirada em meados de outubro de 2017, os refugiados rohingya que fugiram do estado de Rakhine, em Mianmar, atravessam para Bangladesh em Palong Khali, no distrito de Cox's Bazar. Foto: UNICEF/LeMoyne

Nesta foto tirada em meados de outubro de 2017, os refugiados rohingya que fugiram do estado de Rakhine, em Mianmar, atravessam para Bangladesh em Palong Khali, no distrito de Cox’s Bazar. Foto: UNICEF/LeMoyne

Mais de 600 mil pessoas tiveram que fugir de suas casas em direção ao país vizinho, Bangladesh, para escapar da violência à minoria rohingya.

Guterres afirmou ser fundamental um reforço de ações para garantir o acesso humanitário, seguro, digno e voluntário das pessoas assim como a verdadeira reconciliação entre as comunidades. O secretário-geral também ressaltou a importância da implementação das recomendações da Comissão Consultiva sobre Rakhine.

Conselho de Segurança da ONU pede que Mianmar dê fim a uso de força militar excessiva

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou fortemente a violência generalizada no estado de Rakhine, em Mianmar, que levou ao deslocamento de mais de 600 mil membros da comunidade minoritária rohingya. No início de novembro (6), o Conselho apelou ao governo do país para acabar com o uso de força militar excessiva e com a violência intercomunitária na região.

A declaração do Conselho de Segurança convoca o governo a “restaurar a administração civil e aplicar o Estado de Direito e tomar medidas imediatas de acordo com as obrigações e os compromissos do [governo] de respeitar os direitos humanos, incluindo os direitos das mulheres, das crianças e das pessoas pertencentes a grupos vulneráveis, sem discriminação e independentemente da etnia, da religião ou do status de cidadania”.

Além disso, o Conselho incentivou o governo a implementar medidas de acordo com sua resolução 2106 (2013) para prevenir e responder a incidentes de violência sexual e a trabalhar com a representante especial das Nações Unidas sobre Violência Sexual em Conflitos.

O Conselho também expressou sua preocupação com o acesso humanitário severamente limitado às partes afetadas da região e exigiu que o governo garanta acesso imediato, seguro e sem obstáculos para as Nações Unidas e outros atores humanitários.

O órgão elogiou o apoio do governo às recomendações da Comissão Consultiva sobre Rakhine, sublinhando a importância de investigações transparentes sobre denúncias de abusos e violações de direitos humanos, incluindo violência e abuso sexual e violência contra crianças, e de levar todos os responsáveis por tais atos à justiça.

Também na Declaração, o Conselho solicitou ao secretário-geral que continue a dialogar com Mianmar e encorajou o chefe das Nações Unidas a “considerar, conforme apropriado, a nomeação de um conselheiro especial para Mianmar”.

(com informações da ONU em Nova Iorque)


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