ONU alerta para maus-tratos a rebeldes detidos pelo Exército da República Democrática do Congo

De acordo com os relatos, presos do grupo M23 sofreram violações de direitos humanos e alguns cadáveres foram desrespeitados. Secretário-geral pede que responsáveis sejam julgados.

FARDC e MONUSCO reforçam presença em torno de Goma, na República Democrática do Congo, na sequência de confrontos entre a M23 e as tropas nacionais. Foto: MONUSCO / Clara Padovan

Forças Armadas e MONUSCO reforçam presença na região de Goma após confrontos com rebeldes do M23. Foto: MONUSCO/Clara Padovan

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou nesta quinta-feira (18) preocupação com os relatos de maus-tratos graves de detentos do grupo rebelde conhecido como M23 pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo (RDC).

De acordo com os relatos, presos do M23 foram vítimas de violações de direitos humanos e alguns cadáveres foram desrespeitados por membros das Forças Armadas.

“O secretário-geral pede que a RDC leve os autores desses atos à justiça e sublinha que os maus-tratos a detidos são uma violação dos direitos humanos e do direito internacional humanitário”, disse o porta-voz de Ban em comunicado.

Recentemente, conflitos eclodiram perto de Goma, capital da província de Kivu do Norte, entre o Exército e o M23 depois de dois meses de trégua.

Desde março, as tensões na região aumentaram, o que levou o Conselho de Segurança da ONU a implementar uma brigada de intervenção dentro da Missão das Nações Unidas de Estabilização na RDC (MONUSCO). Essa brigada pode realizar operações ofensivas direcionadas, junto ou independente das Forças Armadas, contra os grupos armados que ameaçam a paz no leste do país.

Segundo o comunicado, a MONUSCO levantou a questão dos maus-tratos com as Forças Armadas e está revendo seu apoio às unidades do Exército suspeitas de envolvimento nesses incidentes.