ONU alerta para dívida histórica do mundo com os povos indígenas

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, afirmou nesta semana que o mundo tem “uma dívida histórica para com os povos indígenas”. Em pronunciamento na abertura do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, a dirigente ressaltou na segunda-feira (22) que 15% das pessoas mais pobres do mundo são indígenas.

Participante do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na sede da ONU, em Nova Iorque. Foto: ONU/Loey Felipe

Participante do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na sede da ONU, em Nova Iorque. Foto: ONU/Loey Felipe

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, afirmou nesta semana que o mundo tem “uma dívida histórica para com os povos indígenas”. Em pronunciamento na abertura do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, a dirigente ressaltou na segunda-feira (22) que 15% das pessoas mais pobres do mundo são indígenas.

A ex-ministra das Relações Exteriores do Equador enfatizou ainda que a inclusão plena dos povos originários é crucial para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a agenda global da ONU para 2030.

Ao longo das próximas duas semanas, o fórum permanente da ONU reúne lideranças indígenas de todo o planeta para discutir a preservação dos direitos e da cultura dessas populações. Em 2019, o encontro tem o tema Conhecimento tradicional dos povos indígenas: geração, transmissão e proteção.

Sara Yawanawa é uma jovem liderança indígena representante da Associação Sociocultural Yawanawa. Foto: Acervo Pessoal

Sara Yawanawa é uma jovem liderança indígena representante da Associação Sociocultural Yawanawa. Foto: Acervo Pessoal

Uma das participantes do evento é a brasileira Sara Yawanawa, integrante dos Yawanawa, do estado do Acre. Em entrevista à ONU News, a liderança e representante da Associação Sociocultural Yawanawa ASCY disse que o diálogo nas Nações Unidas fortalece a causa do seu povo.

“É uma troca de experiências muito grande. Isso nos fortalece, nos fortalece como indígenas, para lutar pelos nossos direitos. A gente consegue ver que os problemas não são os mesmos, são parecidos, mas a gente está junto nessa luta. É a partir daí que a gente se fortalece, para cada um lutar pelos seus direitos, pela sua comunidade, não importa se é no Brasil (ou) se é noutro país. A gente está junto lutando pelo mesmo objetivo.”

Saberes indígenas e meio ambiente

No evento de abertura, a ativista e indígena Anne Nuorgam, da Finlândia, foi eleita presidente da sessão do fórum. A finlandesa afirmou que “o conhecimento tradicional está no centro da identidade, cultura, línguas, herança e formas de sobrevivência e tem de ser protegido”.

Segundo a indígena, “histórias globais de colonialismo, exploração e desapropriação continuam minando e desvalorizando o conhecimento tradicional”. Para Anne, “entender o passado e buscar a reconciliação é uma parte importante dos esforços” para combater essas ameaças aos saberes dos povos originários.

Maria Fernanda Espinosa afirmou ainda que “o conhecimento tradicional dos povos indígenas, como um todo, desempenha um papel central nas ações de mitigação e combate às mudanças climáticas”.

A presidente da Assembleia Geral da ONU pediu mais avanços na implementação do Ano Internacional das Línguas Indígenas, celebrado em 2019, como parte dos esforços para preservar esses saberes.


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