ONU alerta para ‘clássico exemplo de limpeza étnica’ em Mianmar

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O alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou nesta segunda-feira (11) que o tratamento dado por Mianmar à minoria muçulmana rohingya se assemelha a um “exemplo clássico de limpeza étnica”. As declarações foram feitas durante a abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mais de 270 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde o fim de agosto, quando a crise humanitária em Mianmar se intensificou depois de confrontos entre grupos da minoria étnica e o Exército do país.

O alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou nesta segunda-feira (11) que o tratamento dado por Mianmar à minoria muçulmana rohingya se assemelha a um “exemplo clássico de limpeza étnica”. As declarações foram feitas durante a abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

“Diante da recusa de Mianmar de autorizar o acesso de investigadores dos direitos humanos ao país, a situação atual não pode ser verificada completamente, mas permanece como um clássico exemplo de limpeza étnica”, disse Zeid.

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mais de 270 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde o fim de agosto, quando a crise humanitária em Mianmar se intensificou depois de confrontos entre grupos da minoria étnica e o Exército do país.

“O governo de Mianmar deve interromper afirmações segundo as quais a população rohingyas estaria colocando fogo em suas próprias casas e jogando lixo em seus próprios vilarejos. Essa completa negação da realidade está prejudicando a imagem do governo que, até recentemente, se beneficiou de extrema boa vontade”, disse Zeid.

“Peço ao governo que interrompa essa operação militar cruel, responsabilizando os perpetuadores de violações e revertendo o padrão de severa e disseminada discriminação contra a população rohingya. Eu peço que as autoridades permitam acesso de meu escritório ao país”, afirmou Zeid.

O escritório de direitos humanos da ONU encorajou o governo de Bangladesh a manter suas fronteiras abertas a esses refugiados, e pediu apoio da comunidade internacional às autoridades do país no recebimento dessa população.

“Muitas pessoas permanecem presas entre Mianmar e Bangladesh. A operação, que é ostensivamente uma reação a ataques de militantes em 25 de agosto contra 30 postos policiais, é claramente desproporcional e não leva em conta os princípios básicos da lei internacional”, disse Zeid.

O alto-comissário da ONU afirmou ter recebido informações e imagens de satélite de forças de segurança e milícias locais queimando vilarejos rohingya, e relatos consistentes sobre assassinatos extrajudiciais, incluindo de civis em fuga.

“Estou também alarmado com informações de que as autoridades de Mianmar começaram a instalar minas terrestres na fronteira com Bangladesh, e sobre comunicados oficiais segundo os quais refugiados que fugirem da violência só serão autorizados a retornar ao país se fornecerem ‘prova de nacionalidade'”, declarou.

“Dado que sucessivos governos de Mianmar violaram progressivamente desde 1962 os direitos civis e políticos da população rohingya, incluindo o direito à cidadania — como foi reconhecido por uma comissão indicada pela própria líder de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi — essa medida parece uma manobra cínica para transferir forçosamente um grande número de pessoas sem possibilidade de retorno”, alertou.


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