ONU alerta para ‘catástrofe de fome’ para crianças do Sudão do Sul

Se o mundo não intensificar esforços de alimentação e nutrição, o UNICEF estima que 50 mil crianças possam morrer de desnutrição no decorrer deste ano.

Se o mundo não intensificar esforços de alimentação e nutrição, o UNICEF estima que 50 mil crianças possam morrer de desnutrição no decorrer deste ano.

Beneficiários esperando na fila para recolher alimentos no Sudão do Sul. Foto: Jacob Zocherman/IRIN

Beneficiários esperando na fila para recolher alimentos no Sudão do Sul. Foto: Jacob Zocherman/IRIN

Duas agências das Nações Unidas apelaram nesta sexta-feria (25) para uma ação conjunta que evite uma potencial epidemia de fome no Sudão do Sul. As agências dizem que essa situação está sendo permitida, da mesma forma que ocorreu há três anos na Somália, bem como em todo o Chifre da África.

“O mundo não deve esperar por um período de fome extrema ser anunciada, enquanto as crianças estão morrendo todos os dias”, disse o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake. “Todos nós temos que fazer mais, para manter mais crianças vivas.”

Anthony Lake e Ertharin Cousin, diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), visitaram famílias deslocadas buscando abrigo em uma base da ONU em Malakal, no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul.

“O PMA, o UNICEF e os nossos parceiros de campo têm trabalhado incansavelmente para levar assistência”, disse Cousin. “Mas, se quisermos expandir nossas operações e salvar mais vidas, então precisamos de mais recursos. A comunidade internacional precisa agir agora.”

Quase um milhão de crianças menores de cinco anos no Sudão do Sul terão de ter tratamento para desnutrição aguda em 2014, segundo a ONU. Além disso, uma em cada três pessoas no país – o equivalente a 3,9 milhões de pessoas – pode estar em situação de insegurança alimentar.

Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito que começou com um impasse político, em meados de dezembro 2013, entre o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar.

Em coletiva de imprensa em Genebra, a porta-voz do PMA Elisabeth Byrs disse que a situação era particularmente preocupante para as pessoas deslocadas que não foram capazes de plantar este ano.

Se o mundo não fornecer a ajuda necessária neste momento para acelerar e intensificar os esforços de alimentação e nutrição, o UNICEF estima que 50 mil crianças possam morrer de desnutrição no decorrer deste ano.

Além disso, as crianças estão em maior risco de não ter os devidos cuidados de saúde, bem como acesso a água potável e saneamento, de acordo com a ONU.

Segundo um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), emergências como a situação humanitária no país podem interromper os cuidados e os tratamentos dos soropositivos.

Além disso, o impacto do HIV em sua saúde e rotinas pode ampliar a severidade de sua experiência dos desastres. O deslocamento forçado de pessoas por conflitos ou desastres também é associado com o aumento da insegurança de alimentos, destruição de vidas e aumento da pobreza.

Em 2012, aproximadamente 150 mil sul-sudaneses estavam vivendo com o HIV. Estima-se que cerca de um terço deles tenha sido deslocado pela crise.