ONU alerta para casos de execuções extrajudiciais no Iraque e crescente vulnerabilidade de civis

Agências das Nações Unidas providenciam abrigos e alimentos para cerca de 300 mil pessoas que fugiram de Mossul, cidade tomada pelo grupo insurgente.

Iraquianos deslocados que fugiram dos combates em Mossul esperam na fila para viajar para Erbil. Foto: ACNUR / R.Nuri

Iraquianos deslocados que fugiram dos combates em Mossul esperam na fila para viajar para Erbil. Foto: ACNUR / R.Nuri

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, alertou nesta sexta-feira (13) para a deterioração dramática da situação no Iraque. A Organização recebeu relatos de execuções sumárias e extrajudiciais de militares, policiais e civis, e mostrou preocupação com o deslocamento massivo de cerca de meio milhão de pessoas provocado pela conquista das principais cidades do país pelo grupo armado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS).

“A extensão total de vítimas civis ainda não é conhecida”, disse a alta comissária, “mas relatos sugerem que centenares de pessoas podem ter sido mortas nos últimos dias, e estima-se que o número de feridos chegue a quase mil.”

A chefe de direitos humanos afirmou ter recebido relatos de que “combatentes do ISIS têm procurado ativamente e, em alguns casos, matado, soldados, policiais e civis, que eles associam com o governo”.

“Recebemos relatos de execuções sumárias de soldados do exército iraquiano durante a captura de Mossul, e de 17 civis em uma rua nessa cidade, no dia 11 de junho”, disse Pillay.

“Estou extremamente preocupada com a extrema vulnerabilidade de civis pegos no fogo cruzado, alvo de ataques diretos por grupos armados, ou presos em áreas sob o controle de ISIS e seus aliados”, disse Pillay. “E estou especialmente preocupado com o risco para os grupos vulneráveis, as minorias, mulheres e crianças.”

A chefe de direitos humanos afirmou ainda que “haverá uma fiscalização especial da conduta do ISIS, dado seu histórico bem documentado de cometer graves crimes contra a humanidade na Síria”.

Pillay também pediu para que as forças do governo exerçam a máxima moderação em suas operações militares em curso e tomem medidas para assegurar que os civis sejam protegidos da violência.

Ajuda humanitária no terreno

Para responder a escalada de violência no país, agências da ONU já se encontram nas áreas afetadas para prestar assistência para as centenas de milhares de pessoas que fogem do conflito.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e seus parceiros priorizaram a entrega de ajuda de emergência, incluindo vacinas para prevenir a propagação de doenças como o pólio ou sarampo.

Além disso, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) lançou uma operação inicial de emergência para fornecer assistência alimentar para 42 mil pessoas mais vulneráveis. A agência indicou, através de um comunicado, que já enviou equipes de emergência e logística para Erbil, na região do Curdistão, para averiguar as necessidades adicionais de alimentos nessa zona bem como a causa do descolamento de centenas de milhares de pessoas de Mossul para Erbil e regiões vizinhas nos últimos dois dias.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) também intensificou seus esforços para fornecer abrigo, proteção e kits de emergência para as famílias deslocadas. Os preparativos para um campo de deslocados em Dohuk estão em andamento. Cerca de mil tendas do ACNUR já foram entregues, e o UNICEF e seus parceiros estão coordenando o abastecimento de água e serviços sanitários no acampamento.