ONU alerta para avanço do antissemitismo na Europa e nos Estados Unidos

Na Áustria, uma exposição em Viena sobre sobreviventes do Holocausto foi vandalizada três vezes em maio. Na Alemanha, casos de discriminação também no mês passado levaram um oficial do governo a orientar judeus a não usar suas quipás em público, para evitar exposição e eventuais ataques.

Manifestação na Filadélfia, nos Estados Unidos, contra a intolerância. Foto: Flickr (CC)/Joe Piette

Manifestação na Filadélfia, nos Estados Unidos, contra a intolerância. Foto: Flickr (CC)/Joe Piette

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou o aumento de episódios de antissemitismo em vários países europeus e também nos Estados Unidos. Na Áustria, uma exposição em Viena sobre sobreviventes do Holocausto foi vandalizada três vezes em maio. Na Alemanha, casos de discriminação também no mês passado levaram um oficial do governo a orientar judeus a não usar suas quipás em público, para evitar exposição e eventuais ataques.

“Esses eventos na Alemanha e na Áustria não podem, infelizmente, ser descritos como isolados, com outros países europeus também registrando aumentos em atos de vandalismo, incluindo contra empresas e túmulos de judeus. O mais perturbador de tudo é que atos de violência física contra judeus também aumentaram em vários países em anos recentes, com aumentos particularmente agudos em incidentes violentos relatados tanto na Alemanha quanto na França”, afirmou em maio (28) a porta-voz do ACNUDH, Marta Hurtado.

Na Áustria, a mostra fotográfica “Lest we forget” — instalada nas ruas do centro de Viena para homenagear sobreviventes do Holocausto — foi depredada em diversas ocasiões. Inicialmente, vândalos pintaram suásticas nos rostos dos sobreviventes. Depois, pedaços do rosto dos retratados foram rasgados.

“Contudo, os piores incidentes ocorreram nos Estados Unidos, onde 11 pessoas foram mortas durante um ataque na sinagoga Árvore da Vida, em Pittsburgh, em outubro último, e em abril, uma mulher foi morta e outros três fiéis ficaram feridos em outro ataque a uma sinagoga, no sul da Califórnia”, disse a representante do organismo internacional.

Segundo Marta, “o aumento em ataques visando judeus, ao lado de outros grupos visados por causa de sua raça ou religião, é uma questão seriamente preocupante”. A porta-voz pediu que todos os governos redobrem urgentemente os seus esforços para combater o racismo e a intolerância em todas as suas formas.

“Sob o direito internacional, as pessoas têm direito à proteção legal contra a incitação ao ódio e à violência. Quando abusos chegam ao nível da incitação — seja na rua ou na internet —, deve ser proibido por lei, ao mesmo tempo em que se respeita a liberdade de expressão, que sofre restrições admissíveis em tais casos.”

Apesar da onde de antissemitismo, Marta lembrou desdobramentos positivos, como a resposta de moradores de Viena, que se uniram contra a depredação da exposição e costuraram as imagens vandalizadas. Cidadãos da capital austríaca também organizaram vigílias para monitorar e proteger a mostra de novos ataques.


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