ONU: Afeganistão vive ‘paradoxo’ entre reabertura de diálogo de paz e violência crescente

As estatísticas compiladas pela Missão da ONU de Assistência ao Afeganistão (UNAMA) registram a morte de 655 civis e mais de 1.155 mil feridos no primeiro trimestre de 2015.

Secretário-geral assistente para os direitos humanos, Ivan Simonovic (centro), visita o Afeganistão para avaliar o impacto dos direitos humanos após a entrega das responsabilidades de segurança para as forças afegãs Foto: UNAMA/Fardin Waezi

Secretário-geral assistente para os direitos humanos, Ivan Simonovic (centro), visita o Afeganistão para avaliar o impacto dos direitos humanos após a entrega das responsabilidades de segurança para as forças afegãs Foto: UNAMA/Fardin Waezi

Ao final de sua visita de uma semana ao Afeganistão, o secretário-geral assistente da ONU para os direitos humanos, Ivan Simonovic, descreveu a “situação paradoxal” em que o país se encontra. Em declaração realizada na última terça-feira (21) afirmou que apesar da crescente violência surgem oportunidades de reiniciar o diálogo de paz.

“Por um lado, há novas oportunidades para as negociações de paz que teriam sido inimagináveis há alguns meses, mas por outro, o conflito tende a intensificar-se com os rebeldes testando a resistência das forças de segurança na esperança de influenciar futuras negociações”, declarou Simonovic.

A missão do secretário-geral assistente focou na crescente dificuldade da situação de segurança após a retirada das tropas estrangeiras do país e transferência das funções para as Forças de Segurança Nacional Afgãs.

Simonovic visitou Cabul e as províncias de Nangarhar e Kapisa, e disse que a violência recente afeta principalmente os civis afegão. Estatísticas compiladas pela Missão da ONU de Assistência ao Afeganistão (UNAMA) registram a morte de 655 civis e mais de 1.155 mil feridos no primeiro trimestre de 2015. O representante da ONU se encontrava em Jalalabad no último sábado (18) quando um ataque suicida de elementos antigovernos deixou 35 pessoas mortas em um mercado.

Simonovic saudou o compromisso do governo de erradicar a tortura em seus centros de detenção através da adoção de um plano nacional e reformas e incentivou o Afeganistão a institucionalizar a prevenção da tortura, através da ratificação do Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura, que estabeleceria as bases de um mecanismo nacional de inspeção de locais de detenção.