ONU: 5 meios para usar a ciência comportamental na luta contra as mudanças climáticas

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso? Quais são as barreiras ao consumo baixo de carbono?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização em ação e ação em mudança de comportamento.

A ONU Meio Ambiente reuniu cinco maneiras pelas quais esse ramo da pesquisa científica pode promover escolhas diárias mais sustentáveis entre as pessoas:

  • Fazer da escolha padrão a melhor escolha. Mudar a escolha padrão para a doação de órgãos, transformando o “doador” em opção de praxe e o “não doador” em exceção, aumentou as taxas de doação de órgãos. Se fosse igual com medidas de compensação de carbono, com opções em sites de companhias áreas, por exemplo, isso poderia ter um efeito similar.
  • Mudar como as escolhas são apresentadas para favorecer o comportamento sustentável. Comerciantes desde o início dos tempos entenderam os princípios da arquitetura de escolhas: o vinho de preço médio será o mais vendido; o item caro irá vender mais se o preço do item médio for aumentado. Em um clássico estudo de caso, a revista The Economist teve um aumento em assinaturas digitais e físicas – a opção mais cara – quando apresentou uma nova estratégia de preços.
  • Remover inteiramente a opção “insustentável”. Legisladores podem acelerar uma década de lentas mudanças comportamentais ao aplicarem proibições diretas, capazes de mudar comportamentos do dia para a noite. Foi o caso da proibição de sacolas plásticas no Quênia. O comportamento habitual, que envolve a dependência de sacolas plásticas, é forçado a mudar para uma alternativa sustentável. A sacola reutilizável se tornou a nova norma dentro de dias e não de décadas.
  • Remover o fator ‘dificuldades’. Faça a pessoa dar 20 passos a menos para fazer a coisa certa e não 20 passos a mais. Você só consegue um prato vegetariano numa companhia aérea se der alguns passos a mais para pedi-lo com antecedência. Vamos mudar isso e servir a opção de “macarrão” ou “curry” (ambas vegetarianas), deixando os amantes de carnes livres para pedir uma opção carnívora no momento da compra das passagens.
  • Personalize para ganhar. Dados e análises podem informar quais mensagens “cutucam” comportamentos de forma mais persuasiva dentro de um segmento específico. Essa estratégia deveria ser a primeira, e não a última, a ser utilizada em campanhas de informação pública, incluindo campanhas políticas, envolvendo as mudanças climáticas. Mensagens personalizadas e segmentadas podem, por exemplo, alcançar indivíduos economicamente motivados, trazendo dados sobre benefícios econômicos, respondendo às suas preocupações e abordando as barreiras que eles enfrentam.

“Pessoas em geral estão (com atitudes) positivas (em relação) à mudança climática e à neutralidade de carbono, mas esses podem ser conceitos abstratos e distantes para as vidas cotidianas de muitas pessoas”, afirma o especialista em mudança climática da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg.

Por isso, na avaliação do especialista, a ciência comportamental é essencial, pois consegue promover mudanças concretas de práticas e hábitos.

Um número crescente de governos está incorporando a ciência comportamental em muitos aspectos de suas políticas – desde completar impostos de renda a tempo e diminuir acidentes automobilísticos até promover a reciclagem e reduzir o lixo plástico.

A publicação Consuming Differently, Consuming Sustainably (lançada pela ONU Meio Ambiente, com apoio da Comissão Europeia e autoria da consultoria ideas42) lança luz sobre o potencial da ciência comportamental para melhorar a eficácia de políticas de consumo sustentável.

As demandas humanas de recursos naturais da Terra ultrapassaram o que pode ser produzido. Nós consumimos, em menos de nove meses, mais recursos do que o nosso planeta produz em um ano e a nossa taxa de consumo continua crescendo.

Além disso, o crescimento de economias emergentes está impulsionando um aumento no consumo em todo o planeta. Um número crescente de domicílios em economias em desenvolvimento está se juntando à classe consumidora. Especialistas estimam que, até 2050, haverá de 2 a 3 bilhões de consumidores a mais de classe média.

“Alcançar o consumo sustentável irá exigir um grande esforço global – é crítico que usemos todas as ferramentas à nossa disposição. Ao usar o entendimento profundo sobre a tomada de decisões fornecido pela ciência comportamental, legisladores podem criar políticas mais eficazes para alterar padrões de consumo e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, diz o relatório.

O relatório da ONU Meio Ambiente apresenta três recomendações para legisladores alcançarem melhores resultados em políticas de consumo sustentável:

  • Incorporar a ciência comportamental em processos e ferramentas políticos;
  • Construir capacidade interna de políticas comportamentais dentro de entidades políticas;
  • Expandir esforços e a disseminação de pesquisas de ciência comportamental.

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