ONU: 5 meios de vencer a fome produzindo algodão

O algodão é parte de uma indústria gigantesca e está sempre presente em nosso cotidiano. Representa 30% de todos os materiais têxteis consumidos e está entre as 20 commodities mais importantes do mundo. A cadeia de valor do algodão é responsável por 350 milhões de empregos.

Mas como a produção de algodão está ligada à segurança alimentar e nutricional? O Centro de Excelência contra a Fome da ONU explica em cinco curiosidades sobre a produção do algodão.

O algodão é produzido por mais de 150 países e é um dos 20 produtos mais exportados. Foto: Secom-MT/Mayke Toscano

O algodão é produzido por cerca de 150 países e é um dos 20 produtos mais exportados. Foto: Secom-MT/Mayke Toscano

O algodão é parte de uma indústria gigantesca e está sempre presente em nosso cotidiano. Representa 30% de todos os materiais têxteis consumidos e está entre as 20 commodities mais importantes do mundo. A cadeia de valor do algodão é responsável por 350 milhões de empregos. Agricultores de 150 países plantam o vegetal para extrair sua fibra e muitos desses produtores são agricultores familiares, que têm nesses cultivos a sua principal fonte de renda.

Mas como a produção de algodão está ligada à segurança alimentar e nutricional? O Centro de Excelência contra a Fome da ONU explica que agricultores familiares que plantam algodão também plantam alimentos. Eles precisam combinar o cultivo de algodão com o cultivo de milho, feijão, gergelim e outros alimentos, a fim de melhorar a produtividade e diminuir o uso de insumos químicos.

A combinação da produção de algodão com a de comida traz oportunidades e desafios para garantir alimentos para todos. O organismo das Nações Unidas esclarece cinco fatos sobre como o algodão pode impulsionar a luta por um mundo sem fome.

1. Maior produção de algodão certificado equivale a uma maior produção de alimentos

Até 2025, as marcas têxteis querem atingir 100% de produção de algodão certificado. A única forma de os agricultores familiares conseguirem certificação para a sua produção é plantando alimentos na mesma área do algodão. Eles precisam combinar os cultivos ou fazer a rotação de culturas entre o algodão e os alimentos, como milho, sorgo, girassol, feijão, arroz, trigo, cana-de-açúcar. Com isso, os pequenos produtores conseguem garantir a produtividade e reduzir o uso de pesticidas e outros insumos.

Na África, há 750 mil produtores familiares de algodão certificados. Isso significa que esses agricultores adotam práticas sustentáveis para obter qualidade não apenas no algodão que produzem, mas também nas culturas alimentares associadas

Espera-se que a certificação chegue a 2 milhões de agricultores familiares até 2025. Se a produção certificada de algodão aumentar, também crescerá a produção de alimentos.

2. Geração de renda

Plantações de algodão cobrem 30 milhões de hectares — ou 2,5% — das terras aráveis do planeta. Apesar de ser uma produção concentrada em cinco países (Índia, China, Estados Unidos, Paquistão e Brasil), milhões de agricultores plantam algodão em 150 nações. Cultivar algodão é uma alternativa viável de geração de renda para agricultores familiares. Eles sabem que poderão vender seu produto para um mercado estável e vigoroso, o que faz com que o algodão seja um importante ativo para eles.

O algodão que eles produzem tem mercado garantido, mas a comida que eles plantam junto com o algodão, não. Este é um dos desafios enfrentados pelo Centro de Excelência contra a Fome: como garantir que esses agricultores terão um mercado estável também para as culturas alimentares?

3. Compra local de alimentos

O Programa Mundial de Alimentos é o maior comprador de alimentos básicos na África. A organização está comprometida em ampliar as compras de alimentos produzidos por agricultores familiares, o que pode ter grande impacto nos mercados locais.

O PMA e outras organizações de assistência alimentar podem contribuir para a criação do mercado estável de que os agricultores familiares precisam para seus produtos. Programas de alimentação escolar e outras intervenções de assistência alimentar também podem ser uma demanda estruturada para esses produtos. Com isso, é possível garantir que os agricultores familiares comercializarão a sua produção por um preço justo.

Saber onde estão os agricultores familiares, o que eles estão produzindo e quanto eles estão produzindo é outro desafio do Centro de Excelência. E, mais uma vez, o algodão pode ajudar.

4. O algodão pode ajudar a conectar agricultores a mercados

Está lembrado daqueles 750 mil agricultores certificados? O Centro de Excelência e o PMA sabem onde esses produtores estão, o que estão produzindo e em que quantidade. As organizações apostam na construção de uma cadeia de fornecimento eficiente, capaz de integrar milhares de agricultores que produzem toneladas de alimentos a programas de alimentação escolar e outras ações de distribuição de alimentos.

Assegurar o acesso desses produtos aos mercados significa garantir a segurança alimentar dos agricultores familiares e das suas comunidades.

5. Qualidade dos alimentos

Isso não é tudo. O Centro de Excelência e o PMA também sabem como os alimentos estão sendo produzidos e podem garantir a sua qualidade e segurança. Os agricultores familiares recebem certificados de sustentabilidade pelas boas práticas no cultivo do algodão, mas eles usam essas mesmas práticas para plantar alimentos.

Se o programa de alimentação escolar, por exemplo, comprar alimentos desses agricultores, as crianças nas escolas receberão refeições seguras e de qualidade.

Bônus: subprodutos do algodão

Em muitos países, além da dificuldade de encontrar mercado para os produtos alimentares associados, os agricultores também perdem a oportunidade de comercializar os subprodutos do algodão. Normalmente, há mercado garantido para a fibra do algodão, mas vender o óleo e a torta da semente de algodão pode ser difícil. Ajudar os agricultores a comercializar esses produtos pode aumentar sua renda e melhorar a segurança alimentar de suas famílias.

O óleo de algodão é altamente nutritivo e pode ser utilizado na alimentação escolar. A torta, que é a matéria sólida que sobra da semente após a extração do óleo, pode ser utilizada como ração animal.

Para impulsionar a cadeia dos subprodutos, o Centro de Excelência contra a Fome, vinculado ao PMA, a Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, e o Instituto Brasileiro do Algodão mantêm o projeto Além do algodão.

A iniciativa pretende apoiar produtores familiares de algodão e instituições públicas de países africanos, a fim de conectar os subprodutos e as culturas alimentares associadas a mercados estáveis, inclusive a programas de alimentação escolar.


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