ONU: 4,5 bilhões de pessoas não dispõem de saneamento seguro no mundo

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Em todo o mundo, cerca de três em cada dez pessoas — em um total de 2,1 bilhões — não têm acesso a água potável em casa, e seis em cada dez — ou 4,5 bilhões — carecem de saneamento seguro, de acordo com novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado nesta quinta-feira (13).

Criança toma banho em Kallyanpur, favela da capital de Bangladesh, Dhaka. Foto: ONU/Kibae Park

Criança toma banho em Kallyanpur, favela da capital de Bangladesh, Dhaka. Foto: ONU/Kibae Park

Em todo o mundo, cerca de três em cada dez pessoas — em um total de 2,1 bilhões — não têm acesso a água potável em casa, e seis em cada dez — ou 4,5 bilhões — carecem de saneamento seguro, de acordo com novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado nesta quinta-feira (13).

O relatório apresenta a primeira avaliação global dos serviços de água potável e saneamento com gestão segura. A conclusão é que muitas pessoas ainda não têm esse acesso, sobretudo em zonas rurais.

“A água potável, o saneamento e a higiene em casa não devem ser um privilégio apenas daqueles que são ricos ou vivem em centros urbanos”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Esses são alguns dos requisitos mais básicos para a saúde humana e todos os países têm a responsabilidade de garantir que todos possam acessá-los”.

Bilhões de pessoas tiveram acesso a serviços básicos de água e saneamento desde 2000, mas esses serviços não fornecem necessariamente água potável e saneamento seguro. Em muitas casas, instalações de saúde e escolas ainda faltam água e sabão para a lavagem das mãos. Isso coloca todas as pessoas, especialmente crianças pequenas, em risco de contrair doenças como a diarreia.

Como resultado, todos os anos 361 mil crianças com menos de 5 anos morrem devido a diarreia. O saneamento deficiente e a água contaminada também estão ligados à transmissão de doenças como cólera, disenteria, hepatite A e febre tifoide.

“Água segura, saneamento eficaz e higiene são fundamentais para a saúde de cada criança e de cada comunidade e, portanto, são essenciais para a construção de sociedades mais fortes, saudáveis e mais equitativas”, afirmou o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake. “À medida que melhoramos esses serviços nas comunidades mais desfavorecidas e para as crianças mais desfavorecidas, estamos oferecendo-lhes uma oportunidade mais justa para que desfrutem de um amanhã melhor”.

Desigualdades significativas persistem

Para diminuir as desigualdades globais, os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) querem pôr fim à defecação ao ar livre e alcançar acesso universal aos serviços básicos até 2030.

Das 2,1 bilhões de pessoas que não possuem água gerenciada de forma segura, 844 milhões não têm nem um serviço básico de água potável. Isso inclui 263 milhões de pessoas que precisam gastar mais de 30 minutos por viagem para coletar água de fontes distantes de casa e 159 milhões que ainda bebem água não tratada de fontes de água superficiais, como córregos ou lagos.

Em 90 países, o progresso rumo ao saneamento básico é muito lento, o que significa que seus habitantes não alcançarão a cobertura universal em 2030.

Das 4,5 bilhões de pessoas que não possuem saneamento gerenciado de forma segura, 2,3 bilhões ainda não têm serviços básicos de saneamento. Isso inclui 600 milhões de pessoas que compartilham um banheiro ou latrina com outras famílias e 892 milhões de pessoas – principalmente em áreas rurais – que defecam ao ar livre. Devido ao crescimento populacional, a defecação ao ar livre está aumentando na África subsaariana e na Oceania.

Uma boa higiene é uma das formas mais simples e eficazes para evitar a propagação de uma doença. Pela primeira vez, os ODS estão monitorando a porcentagem de pessoas que têm instalações para lavar as mãos em casa, com água e sabão. De acordo com o novo relatório, o acesso à água e ao sabão para a lavagem das mãos varia imensamente nos 70 países com dados disponíveis – de 15% da população na África subsaariana a 76% no oeste da Ásia Ocidental e na África do Norte.

Entre as principais conclusões do relatório estão:

• Muitos países carecem de dados sobre a qualidade dos serviços de água e saneamento. O relatório inclui estimativas para 96 países sobre água potável administrada de forma segura e 84 países em saneamento gerenciado de forma segura.
• Nos países que enfrentam conflitos ou distúrbios, as crianças têm quatro vezes menos probabilidades de usar serviços básicos de água e são duas vezes menos propensas a usar os serviços básicos de saneamento do que crianças em outros países.
• Existem grandes lacunas no serviço entre áreas urbanas e rurais. Duas em cada três pessoas com água potável gerenciada com segurança e três em cada cinco pessoas com serviços de saneamento gerenciados de forma segura vivem em áreas urbanas. Das 161 milhões de pessoas que utilizam águas superficiais não tratadas (de lagos, rios ou canais de irrigação), 150 milhões vivem em zonas rurais.

Sobre o Programa Conjunto de Monitoramento

O Programa de Monitoramento Conjunto da OMS e UNICEF para água e saneamento é o mecanismo oficial das Nações Unidas para supervisionar o progresso alcançado em países, regiões e mundo, especialmente as metas dos ODS relacionadas ao acesso universal e equitativo à água potável e saneamento.

Graças às pesquisas domiciliares realizadas globalmente, a análise do JMP tem contribuído para o estabelecimento de conexões entre o acesso a instalações de saneamento e melhores fontes de água e qualidade de vida. Além disso, serve como uma referência autorizada a fazer determinações sobre novas políticas e alocação de recursos, especialmente em nível internacional.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).

(Foto de capa do vídeo: menino sudanês toma água limpa. Crédito da foto: ONU)


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