ONU: 357 milhões de crianças vivem em zonas de conflito – aumento de 75% em duas décadas

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Crianças em situações de crise enfrentam uma série de desafios – desde a separação familiar e o recrutamento forçado até a exploração sexual e a pobreza extrema –, alertou a vice-chefe de direitos humanos das Nações Unidas nesta semana (5). Kate Gilmore pediu ações imediatas para proteger as crianças das consequências das “falhas demasiadamente adultas”.

Lembrando que as crianças constituem a metade das pessoas deslocadas do mundo e mais da metade de seus refugiados, ela enfatizou: “Não importa onde elas estejam, nem o status de seus movimentos dentro ou fora das fronteiras – que seja o mais irregular possível –, os direitos de uma criança nunca a abandona”.

Crianças durante apresentação cultural popular em peça de rua sobre a questão do casamento infantil e seus males, no distrito de Giridih, estado de Jharkhand, na Índia. Foto: UNICEF/Vishwanathan

Crianças durante apresentação cultural popular em peça de rua sobre a questão do casamento infantil e seus males, no distrito de Giridih, estado de Jharkhand, na Índia. Foto: UNICEF/Vishwanathan

“Somente em 2016, 43 milhões de crianças em 63 países necessitaram de ajuda humanitária”, disse Kate Gilmore, vice-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, durante a reunião anual sobre os direitos da criança na última segunda-feira (5), em Genebra.

“E, atualmente, 357 milhões de crianças vivem em zonas de conflito – um aumento de cerca de 75% desde a última década do século passado, ou uma em cada seis crianças em todo o mundo”, acrescentou.

Das inundações, terremotos e furacões até a instabilidade política e econômica causada pelo homem e os conflitos armados entre e entre partes estatais e não estatais em nível mundial, os custos da “má conduta” adulta e suas consequências como guardiões políticos, sociais e econômicos têm prejudicado o futuro de crianças.

Inúmeras crianças desconhecidas perderam a vida terrivelmente se deslocando no mar Mediterrâneo; milhares foram violadas no estado de Rakhine, em Mianmar; meninas foram submetidas a abuso e exploração sexuais pelos soldados das Nações Unidas, conhecidos como capacetes-azuis; e outras violadas por inúmeros trabalhadores religiosos e seculares.

“A tragédia dessas falhas demasiadamente adultas é suportada por crianças, mas a vergonha certamente não recai sobre as crianças”, afirmou ela, ressaltando que as crianças são a grande maioria das populações mais afetadas pelo conflito, mais atingidas pela pobreza extrema e as mais expostas à mudança climática.

“Nos voo, as crianças enfrentam abuso e exploração sexuais adicionais, trabalho infantil e tráfico. Em trânsito, enfrentam novos abusos, negligência e privação de serviços essenciais”, continuou ela. “Na chegada, mais frequentemente encontram detenção ilegal, xenofobia e falta de cuidados com o trauma físico e mental a que foram submetidas.”

Lembrando que as crianças constituem a metade das pessoas deslocadas do mundo e mais da metade de seus refugiados, Gilmore enfatizou: “Não importa onde elas estejam, nem o status de seus movimentos dentro ou fora das fronteiras – que seja o mais irregular possível –, os direitos de uma criança nunca a abandona”.

Kate Gilmore, vice-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Kate Gilmore, vice-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

No entanto, a tolerância para o abuso infantil é tão alta que, independentemente do que se tenha aprendido com sua escala, amplitude ou dano duradouro, o mundo luta para tornar centrais suas responsabilidades com as crianças.

Questionando por que, em 2018, o secretário-geral da ONU precisa reafirmar a política de tolerância zero da ONU para exploração e abuso sexuais de crianças e adultos, Gilmore afirmou: “A ONU deve aceitar sua vergonha”.

“O direito internacional dos direitos humanos se aplica em todos os momentos, em todas as configurações para todos os povos de todas as idades”, ressaltou.

Ela observou que, na sétima década da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “devemos afirmar com firmeza que os direitos humanos se mantêm e os direitos humanos persistem, mesmo em contextos humanitários e especificamente para crianças”.

Os interesses das crianças devem ser colocados na vanguarda dos processos de tomada de decisão, acrescentou. “Devemos envolver as crianças, fazer elas se sentarem nas mesas de tomada de decisão e participação e, especificamente, para o projeto, implementação e monitoramento de nossas atividades de assistência humanitária”, concluiu.


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