ONU: 16 mil crianças morrem diariamente, revela novo relatório sobre mortalidade infantil

Apesar do número de mortes de crianças com menos de cinco anos ter caído de 12,7 milhões por ano em 1990 para 5,9 milhões em 2015, desde 1990 até 2015 o mundo perdeu 236 milhões de vidas nesta faixa etária, mais do que toda a população brasileira.

Um bebê indígena do grupo étnico Kadazandusun dorme em uma rede em uma creche no distrito de Penampang, na Malásia. Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

Um bebê indígena do grupo étnico Kadazandusun dorme em uma rede em uma creche no distrito de Penampang, na Malásia. Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

Dezesseis mil crianças com menos de cinco anos de cidade morrem todos os dias. Apesar do índice de mortalidade infantil apresentar quedas contínuas desde 1990, o mundo ainda não está fazendo o suficiente para prevenir novas mortes e até mesmo alcançar a meta estipulada pelo quarto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que prevê a redução de dois terços desta taxa entre 2000 e 2015.

A informação foi revelada nesta quarta-feira (09) no lançamento do Relatório 2015 Níveis e Tendências em Mortalidade Infantil, divulgado pelo Fundo da ONU para a Infância (UNICEF), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais (DESA). Segundo o documento, apesar do número de mortes de crianças com menos de cinco anos ter caído de 12,7 milhões por ano em 1990 para 5,9 milhões em 2015, desde 1990 até 2015 o mundo perdeu 236 milhões de vidas nesta faixa etária, mais do que toda a população brasileira.

A vice-diretora executiva do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF), Geeta Rao Gupta, reconheceu os esforços mundiais para obter progressos, mas lembrou que ainda há um grande número de crianças que morre de doenças preveníveis antes de seu quinto aniversário. Este fato, ressaltou, deveria “estimular-nos a redobrar os esforços para fazer o que sabemos que precisa ser feito”.

O Brasil foi um dos países que conseguiu alcançar o quarto ODM, apresentando uma queda de 73% de mortes. A redução também foi alcançada na esfera regional, porém o relatório aponta que em 32 municípios o índice de mortes infantis supera 80 para cada 1.000 crianças nascidas. Além disso, destacou que, comparado a outros bebês brasileiros, as crianças indígenas no país têm o dobro de chances de morrer antes do seu primeiro nascimento.

O relatório destaca que o grande desafio continua sendo o período do nascimento. Em torno a 45% das mortes infantis ocorrem no período neonatal, que compreende os 28 primeiros dias de vida. Prematuridade, pneumonia, complicações durante o trabalho de parto, diarreia, sepse e malária são as principais causas de morte de crianças menores de cinco anos. Cerca de metade são associadas à desnutrição.