ONG financia tratamento pediátrico para crianças de famílias pobres e refugiadas no Líbano

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A pequena Aya repousa, pacificamente, em uma incubadora no hospital público Qarantina, na capital libanesa, Beirute. Refugiada de pais sírios, Aya não teve primeiros dias fáceis, mas a família é grata por ter recebido o atendimento do qual a menina precisava.

O tratamento especializado foi possível graças a uma ala pediátrica recém-construída no hospital e financiada pela ONG libanesa Birth and Beyond. O objetivo é proporcionar tratamento neonatal de qualidade a famílias pobres no Líbano, incluindo de refugiados sírios. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Mulher atende bebê recém-nascido na unidade de terapia intensiva neonatal no Hospital Qarantina, em Beirute, no Líbano. Foto: ACNUR

Mulher atende bebê recém-nascido na unidade de terapia intensiva neonatal no Hospital Qarantina, em Beirute, no Líbano. Foto: ACNUR

A pequena Aya repousa, pacificamente, em uma incubadora no hospital público Qarantina, na capital libanesa, Beirute. Refugiada de pais sírios, Aya não teve primeiros dias fáceis, mas a família é grata por ter recebido o tratamento do qual a menina precisava.

“Minha filha Aya nasceu com icterícia”, explicou o pai, Mohammed, originalmente de Idlib, noroeste da Síria. “Ela estava aqui (no hospital) por dois dias e eles cuidaram muito bem dela. Ela melhorou, e agora estamos levando-a para casa”.

O tratamento especializado que Aya recebeu foi possível graças a uma ala pediátrica recém-construída no hospital e financiada pela ONG libanesa Birth and Beyond. O objetivo é proporcionar tratamento neonatal de qualidade a famílias pobres no Líbano, incluindo de refugiados sírios.

Mais de 1 milhão de refugiados sírios vivem no Líbano. Cerca de 12% das crianças nascidas de pais refugiados necessitam de cuidados intensivos neonatais. Uma das principais razões é a prematuridade, que pode ser resultado de casamento precoce, pobreza e falta de cuidados pré-natais.

No entanto, os cuidados intensivos neonatais não estão disponíveis em todos os hospitais libaneses, e os refugiados geralmente precisam percorrer longas distâncias para que seus recém-nascidos recebam tratamento necessário.

Robert Sacy, pediatra que fundou a ONG Birth and Beyond, tenta enfrentar o duplo desafio do número insuficiente de centros de cuidados intensivos pediátricos — especialmente em hospitais públicos — e o custo proibitivo de tal tratamento para famílias desfavorecidas.

“Nós sempre temos esse desafio de recusar pessoas não só devido à falta de leitos, mas principalmente por falta de apoio financeiro”, explicou Sacy. “Há uma necessidade de ter os melhores tratamentos com a melhor equipe médica e o melhor equipamento em hospitais governamentais”.

No ano passado, cerca de 4,5 mil bebês refugiados exigiram cuidados intensivos neonatais, de acordo com Michael Woodman, oficial sênior de saúde pública da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Líbano. Apesar de a agência da ONU cobrir 90% do custo, as famílias ainda têm que arcar com os 10% restantes, o que pode ser inviável para muitas famílias refugiadas.

“Iniciativas como as da Birth and Beyond são extremamente importantes porque fornecem cuidados de excelente qualidade para refugiados integrados em um hospital público”, disse Woodman. “Acredito que este seja um enorme benefício para os refugiados, que podem receber cuidados de qualidade e gratuitos”.

Crianças desfavorecidas são todas recebidas com o mesmo carinho e cuidado, independentemente da sua nacionalidade. Manal é de Trípoli, no norte do Líbano, e seu filho Oussama foi internado na nova unidade de terapia intensiva pediátrica no hospital Qarantina após sofrer complicações após passar por uma cirurgia cardíaca.

“A ala pediátrica é excelente, mesmo em termos de equipamentos e máquinas, não senti que estava em um hospital público”, disse Manal. “O hospital não vai me custar muito. Eu não tenho como pagar um hospital particular para ele, mas aqui o governo paga e por isso é melhor”.

Graças à Birth and Beyond, Oussama e Aya receberam uma segunda chance na vida. Sacy argumenta que o mesmo nível de cuidado deve ser concedido a todas as crianças nascidas no Líbano, independentemente da situação financeira da família. “Não entendo por que as pessoas pobres não devem ter o direito de serem tratadas da mesma forma que as pessoas ricas”.


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