Onda de violência na Síria deixa crianças encurraladas e em risco de morte, diz UNICEF

Após muitos dias vivendo a céu aberto, famílias que fogem da violência estão se abrigando em tendas coletivas fornecidas pelo Crescente Vermelho Turco e instaladas perto de Kafr Lusein, na Síria. Foto: UNICEF/Ahmad Al Ahmad

Ao longo da semana passada, o agravamento da violência na Síria deixou crianças “encurraladas” e em risco de morte, ferimentos e deslocamento forçado, alertou a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore.

De acordo com a dirigente, a onda de confrontos afeta especialmente os vilarejos de Hama, no norte do país, e de Idleb, no sul. Muitas famílias fugiram de suas casas, enquanto “outras são incapazes de ir para áreas mais seguras”, explicou Henrietta.

O recrudescimento mais recente dos conflitos vem após meses de crescente violência. Segundo relatos, mais de 134 crianças foram mortas e mais de 125 mil pessoas foram deslocadas pelos confrontos apenas em 2019. Com quase 30 hospitais sob ataques, o agravamento da violência forçou alguns dos parceiros do UNICEF a suspender operações essenciais.

Além disso, a agência da ONU estima que 43 mil crianças não estejam indo à escola. Provas finais em partes de Idlib foram adiadas, afetando a educação de 400 mil estudantes, disse a chefe do UNICEF.

Embora parceiros do organismo estejam atuando no terreno no nordeste do país, a fim de chegar até crianças e famílias com clínicas de saúde móveis, vacinas, apoio psicossocial e saneamento, Henrietta disse que essas ações paliativas não são suficientes para mitigar as consequências da “violência brutal e gratuita”.

“Crianças não possuem responsabilidade por esta guerra. Ainda sim, elas sofrem a carnificina e as consequências mais do que todos”, enfatizou a dirigente.

Henrietta instou partes do conflito no nordeste da Síria e em todo o país a “fazerem todos os esforços para proteger crianças e infraestruturas essenciais para elas”, incluindo hospitais e escolas.

“As partes (do conflito) e aqueles que possuem influência sobre elas também precisam criar uma paz abrangente e duradoura, que finalmente traga um fim a esta guerra, pelo bem das crianças da Síria e do próprio futuro do país e da região”, concluiu a chefe do organismo internacional.