OMS recomenda uso da primeira vacina contra dengue em áreas com alta incidência da doença

Vacina Dengvaxia já havia sido liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) desde dezembro de 2015. A Organização Mundial da Saúde alerta que a imunização só deve ser utilizada em locais de alta soroprevalência da doença.

Larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da zika, da dengue e da chikungunya. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da zika, da dengue e da chikungunya. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em informe publicado nesta sexta-feira (15), o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas sobre imunização (SAGE) – vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS) – recomendou o uso da primeira vacina contra a dengue em localidades com alta incidência da doença.

A vacina Dengvaxia (CYD-TDV) foi desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur e já havia sido licenciada no final de 2015 e início de 2016 em países da América Latina e Ásia que registram infecção endêmica por dengue.

Em dezembro do ano passado (28), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) concedeu um registro ao tratamento, permitindo sua utilização no território nacional.

A imunização é voltada para pessoas de nove a 45 anos de idade. Em algumas nações – o Brasil não está incluído nesse grupo –, a vacina é recomendada oficialmente também para adultos mais velhos, até os 60 anos.

Apesar do sinal verde emitido pelo SAGE, os especialistas alertam que a recomendação vale apenas para regiões onde a soroprevalência da dengue tenha alcançado aproximadamente 70% ou mais da faixa etária visada pela vacinação. A imunização não é recomendada quando essa porcentagem estiver abaixo de 50% (leia aqui o informe na íntegra).

Segundo o Grupo Consultivo, a introdução da vacina deve ser parte de uma estratégia de controle abrangente, que inclua iniciativas de comunicação, contenção adequada e duradoura de vetores – como o mosquito Aedes aegypti –, cuidado clínico para pacientes fundamentado pelas melhores evidências científicas e uma vigilância robusta da doença.

O SAGE avaliou os resultados de testes clínicos da vacina que incluíram crianças com menos de nove anos de idade. Devido a riscos de segurança envolvendo hospitalização e desenvolvimento de dengue severa em crianças de 2 a 5 anos de idade, no terceiro ano após o recebimento da primeira dose da imunização, o Grupo concluiu que a Dengvaxia não é recomendada para uso em jovens com menos de nove anos.

Para as faixas etárias que não enfrentam riscos associados à vacina, o SAGE recomendou a imunização em três doses espaçadas por seis meses de intervalo. Países devem escolher o público-alvo das campanhas de vacinação segundo critérios domésticos e dados específicos sobre a situação de cada território afetado pela doença.

Em regiões onde o vírus é altamente endêmico – soroprevalência de aproximadamente 90% ou mais alta– entre crianças de nove anos, a vacinação dessa faixa etária pode maximizar os impactos da imunização. Quando o índice estiver abaixo de 90%, mas acima de 50%, o SAGE considera preferível a aplicação do tratamento a jovens de 11 a 14 anos.