OMS recomenda dolutegravir como principal opção de tratamento para HIV

Com base em novas evidências que avaliam riscos e benefícios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do medicamento dolutegravir (DTG) como tratamento de primeira e segunda linha preferido para HIV para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e aquelas com potencial para engravidar.

Em 2019, 82 países de baixa e média renda relataram estar em transição para esquemas de tratamento de HIV baseados no dolutegravir. As recomendações atualizadas visam ajudar mais países a melhorarem suas políticas de HIV.

Cada decisão de tratamento para o HIV deve se basear em uma discussão informada com o provedor de saúde, ponderando os potenciais riscos e benefícios, de acordo com a OMS. Foto: EBC/Jehgas Preotto

Cada decisão de tratamento para o HIV deve se basear em uma discussão informada com o provedor de saúde, ponderando os potenciais riscos e benefícios, de acordo com a OMS. Foto: EBC/Jehgas Preotto

Com base em novas evidências que avaliam riscos e benefícios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do medicamento dolutegravir (DTG) como tratamento de primeira e segunda linha preferido para HIV para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e aquelas com potencial para engravidar.

Estudos iniciais haviam destacado uma possível ligação entre o antirretroviral DTG e defeitos do tubo neural (defeitos congênitos do cérebro e da medula espinhal que causam condições como espinha bífida) em bebês nascidos cujas mães utilizaram a droga no momento da concepção.

Essa potencial preocupação de segurança foi relatada em maio de 2018, a partir de um estudo realizado em Botsuana, que encontrou quatro casos de defeitos do tubo neural entre 426 mulheres que engravidaram enquanto administravam o DTG. Com base nestes resultados preliminares, muitos países aconselharam mulheres grávidas e mulheres com potencial para engravidar a fazer uso do medicamento efavirenz (EFV).

Novos dados de dois grandes ensaios clínicos que comparam a eficácia e a segurança do dolutegravir e do efavirenz na África expandem agora a base de evidências. Os riscos de defeitos do tubo neural são significativamente menores do que os estudos iniciais podem ter sugerido.

O grupo de diretrizes também considerou modelos matemáticos dos benefícios e danos associados às duas drogas; os valores e preferências das pessoas que vivem com HIV, bem como os fatores relacionados à implementação de programas de HIV em diferentes países e custo.

O DTG é uma droga mais eficaz e mais fácil de administrar, além de apresentar menos efeitos colaterais do que as drogas alternativas utilizadas atualmente. O antirretroviral também tem uma alta barreira genética para o desenvolvimento de resistência, o que é importante, dada a tendência crescente de resistência ao efavirenz e aos regimes baseados em nevirapina. Em 2019, 12 dos 18 países pesquisados pela OMS relataram níveis de resistência a esses medicamentos antes do tratamento, que excederam o limite recomendado de 10%.

Todas as descobertas acima informaram a decisão de atualizar as diretrizes deste ano.

Em 2019, 82 países de baixa e média renda relataram estar em transição para esquemas de tratamento de HIV baseados no dolutegravir. As recomendações atualizadas visam ajudar mais países a melhorarem suas políticas de HIV.

Quanto a qualquer medicação, a escolha informada é importante. Cada decisão de tratamento deve se basear em uma discussão informada com o provedor de saúde, ponderando os potenciais riscos e benefícios.

A OMS também enfatiza a importância de fornecer informações e opções para ajudar as mulheres a fazerem uma escolha informada. Para este fim, o organismo internacional convocou um grupo consultivo de mulheres que vivem com HIV, de diversas origens, para aconselhar sobre questões políticas relacionadas à sua saúde, incluindo saúde sexual e reprodutiva.

A OMS destaca a necessidade de monitorar continuamente o risco de defeitos do tubo neural associados ao DTG.