OMS pede que prefeitos eleitos no Brasil mantenham limite de velocidade de 50 km/h nas vias

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A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) pediu nesta sexta-feira (9) que os prefeitos eleitos e reeleitos no Brasil considerem manter os limites de velocidade em vias urbanas iguais ou inferiores a 50 km/h. A organização citou o caso da cidade de São Paulo, que registrou queda das mortes no trânsito após redução da velocidade máxima permitida em suas marginais Tietê e Pinheiros.

“Retroceder nesse avanço significa um retrocesso não apenas nos resultados estatísticos, mas no marco simbólico que representou a decisão em favor da vida, particularmente a dos mais vulneráveis”, disse consultor da agência da ONU.

Acidentes fatais nas marginais Tietê e Pinheiros caíram 52% em um ano. Foto: EBC/Marcelo Camargo

Acidentes fatais nas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, caíram após redução da velocidade máxima. Foto: EBC/Marcelo Camargo

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) pediu nesta sexta-feira (9) que os prefeitos eleitos e reeleitos no Brasil considerem manter os limites de velocidade em vias urbanas iguais ou inferiores a 50 km/h.

Segundo a organização, cerca de 1 milhão de pessoas morrem em acidentes de trânsito a cada ano no mundo, enquanto a quantidade de feridos chega a 50 milhões. De acordo com a OMS, um dos principais fatores de risco é a velocidade excessiva ou inapropriada nas vias.

“Quanto maior a velocidade de um veículo, menor será o tempo que um condutor tem para parar e evitar um choque. O campo de visão do motorista também se reduz à medida que a velocidade aumenta”, disse o consultor de segurança no trânsito da representação da OPAS/OMS no Brasil, Victor Pavarino. “Se a velocidade aumenta 50%, a força do choque aumenta em bem mais que o dobro”.

Segundo o especialista, um pedestre tem 90% de chances de sobreviver a um choque com um carro a 30 km/h. Mas essa chance cai para menos de 50% em um impacto a 45 km/h e é de quase zero se o veículo estiver acima de 60 km/h.

Da mesma forma, leves aumentos da velocidade podem duplicar os riscos de colisão. “Há evidências concretas de que velocidades de apenas 5 km/h acima da média de 60 km/h em áreas urbanas, e 10 km/h acima da média em áreas rurais, são suficientes para dobrar o risco de morbimortalidade nos incidentes”, disse.

De acordo com o Relatório sobre a Situação Global da Segurança no Trânsito 2015, os países que conseguiram reduzir as mortes no trânsito priorizaram a segurança na gestão da velocidade.

Além do sofrimento pelas perdas e incapacitações decorrentes, calcula-se que os custos econômicos dos acidentes no trânsito, com particular sobrecarga para o setor de saúde, podem chegar a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

No Brasil, o trânsito tira mais de 40 mil vidas por ano, o que corresponde a uma taxa superior a 22 óbitos por grupo de 100 mil habitantes, acima da média das Américas (15,9 por 100 mil habitantes), dos países de média e baixa renda (20,1 e 18,3 por 100 mil habitantes, respectivamente) e mais que o dobro dos países de alta renda (8,7 por 100 mil habitantes), conforme recentes relatórios da OPAS e da OMS.

“Cumprimentamos as iniciativas dos municípios brasileiros que se empenharam na gestão rigorosa da velocidade, e conclamamos as prefeitas e os prefeitos eleitos ou reeleitos que levem em conta os ganhos verificados nas experiências de redução dos limites nas áreas urbanas”, disse Pavarino.

“Em memória dos que perderam suas vidas no trânsito, e em respeito àqueles que poderão ser salvos, sigamos os exemplos de Londres, Nova York, Paris, São Paulo, Sidney e Tóquio. Essas cidades reduziram os limites de velocidade nos últimos anos e obtiveram bons resultados”, completou.

Em São Paulo, o número de mortes nas vias das marginais Tietê e Pinheiros caiu 32,8% em um ano, passando de 73 óbitos em 2014 para 49 em 2015, conforme dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

“O fator determinante para a queda foi a redução dos limites de velocidade nessas vias, em julho do ano passado. Caiu, principalmente, o número de mortes dos mais frágeis usuários das vias: os pedestres. Isso vai ao encontro de nossos preceitos de saúde e equidade”, afirma o consultor da OPAS/OMS.

Para ele, é fundamental que essa medida continue sendo adotada. “Retroceder nesse avanço significa um retrocesso não apenas nos resultados estatísticos, mas no marco simbólico que representou a decisão em favor da vida, particularmente a dos mais vulneráveis”.

A OPAS/OMS e a Colaboração das Nações Unidas pela Segurança Viária apoiam desde 2004 os Estados-membros da ONU em suas iniciativas para reduzir as mortes no trânsito, e monitora o progresso dos esforços realizados.


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