OMS pede que governos proíbam patrocínio e publicidade do tabaco no automobilismo

Apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) vem após companhias do setor tabagista divulgarem novas parcerias com gigantes do automobilismo, como a McLaren, Ferrari e Ducati.

OMS chama atenção para novas parcerias entre equipes da Fórmula 1 e empresas da indústria do tabaco. Foto: Flickr (CC)/Jose Maria Miñarro Vivancos

OMS chama atenção para novas parcerias entre equipes da Fórmula 1 e empresas da indústria do tabaco. Foto: Flickr (CC)/Jose Maria Miñarro Vivancos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta semana (14) que governos proíbam a publicidade, promoção e patrocínio da indústria do tabaco em eventos esportivos. Apelo da agência da ONU traz solicitação específica para que essas proibições sejam aplicadas também à realização e transmissão de competições da Fórmula 1 e do MotoGP.

A OMS pede que todos os órgãos esportivos, incluindo a Fórmula 1 e o MotoGP, adotem políticas sólidas, a fim de garantir que seus eventos sejam “livres do tabaco”. Outra meta deve ser assegurar que as atividades dessas instituições e seus participantes, incluindo equipes de corrida, não sejam patrocinados por empresas da indústria do tabaco.

O chamado do organismo internacional de saúde vem após companhias do setor tabagista divulgarem novas parcerias com gigantes do automobilismo.

A empresa British American Tobacco (BAT) recentemente anunciou “uma nova parceria global” com a equipe de Fórmula 1 McLaren, usando o slogan a better tomorrow (em tradução para o português, “um amanhã melhor”). A BAT indicou que a parceria plurianual fornecerá uma plataforma mundial para dar maior ressonância a certos produtos, incluindo o glo, um dispositivo usado para aquecimento do tabaco. A declaração sugere que a intenção da empresa é promover o uso do tabaco.

Já a Philip Morris International (PMI) criou uma logo (Mission Winnow) para utilização pela Ferrari, em carros, e pela Ducati, em motocicletas. Antes, os veículos levavam o branding dos cigarros Marlboro. A PMI também divulgou a logo como marca registrada, inclusive para uso em produtos derivados do tabaco. A Ducati apresentou a logo num MotoGP recente.

Proibições abrangentes da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco reduzem o consumo de produtos derivados da substância, inclusive entre os jovens. O Artigo 13 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS obriga as partes a implementar restrições ou interdições dessas práticas da indústria tabagista.

As definições do documento da OMS são amplas e incluem atividades com o efeito ou o provável efeito de promover direta ou indiretamente um produto derivado do tabaco ou o próprio uso do tabaco.

De acordo com a agência da ONU, as ações das empresas resultam em publicidade e promoção de produtos de tabaco e do consumo de tabaco, alcançando, entre diferentes públicos, a juventude. A publicidade e a promoção desses produtos ocorrem tanto em países que sediam os eventos esportivos, quanto em países que recebem as suas transmissões.

A OMS pede aos governos que implementem suas próprias leis proibindo a publicidade, a promoção e o patrocínio do tabaco das formas mais rígidas possíveis, por meio da aplicação de penalidades de acordo com as legislações internas e da adoção de medidas preventivas.


Comente

comentários