OMS pede investimento anual de US$ 6 bi para eliminar hepatite até 2030

Às vésperas do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, lembrado em 28 de julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (26) que países de baixa e média renda precisam investir um total de 6 bilhões de dólares por ano para eliminar essas doenças como uma ameaça de saúde pública até 2030.

A mobilização desses recursos permitiria evitar 4,5 milhões de mortes ao longo dos próximos 11 anos. Atualmente, existem 325 milhões de pessoas no mundo vivendo com hepatite B ou C — ou até mesmo com as duas variações. Apenas em 2017, 2,85 milhões de indivíduos se infectaram com a doença.

Nos últimos 13 anos, 120 mil casos de hepatite C foram notificados às autoridades brasileiras, mas número de pessoas infectadas deve ser maior, podendo chegar a cerca de 1,4 milhões de pessoas. Foto: EBC

A eliminação da hepatite como ameaça de saúde pública é uma das metas da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável. Foto: EBC

Às vésperas do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, lembrado em 28 de julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (26) que países de baixa e média renda precisam investir um total de 6 bilhões de dólares por ano para eliminar essas doenças como uma ameaça de saúde pública até 2030. A mobilização desses recursos permitiria evitar 4,5 milhões de mortes ao longo dos próximos 11 anos.

Segundo a agência da ONU, somente com um montante de 58,7 bilhões de dólares, distribuídos anualmente até 2030, seria possível reduzir em 90% o número de novas infecções por hepatite e diminuir em 65% as mortes pela doença.

O orçamento foi calculado com base nas necessidades de 67 de países de baixa e média renda e representa o valor conjunto que essas nações precisam mobilizar para alcançar essas quedas na prevalência e na mortalidade da doença. Esses países representam 75% da população mundial.

O investimento proposto pela OMS construiria um legado contra a enfermidade — a agência estima que seria possível evitar mais de 26 milhões de óbitos depois de 2030, se esse orçamento for aplicado.

Atualmente, existem 325 milhões de pessoas no mundo vivendo com hepatite B ou C — ou até mesmo com as duas variações. Apenas em 2017, 2,85 milhões de indivíduos se infectaram com a doença. Por ano, as hepatites B e C causam 1,4 milhão de mortes.

“Hoje, 80% das pessoas que vivem com hepatites não conseguem acessar os serviços dos quais necessitam para prevenir, diagnosticar e tratar as doenças”, lembrou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Nesta data, pedimos uma liderança política arrojada, com investimentos correspondentes. Solicitamos a todos os países que integrem serviços para hepatites em pacotes de benefícios, como parte da sua jornada rumo à cobertura universal de saúde.”

Investindo agora em testes diagnósticos e medicamentos para o tratamento das hepatites B e C, os países podem salvar vidas e reduzir custos relacionados ao tratamento prolongado da cirrose e do câncer de fígado — dois problemas de saúde que resultam das hepatites não tratadas.

Algumas nações já estão tomando providências. A Índia, por exemplo, anunciou que oferecerá testes diagnósticos gratuitos e tratamento para as hepatites B e C como parte da sua estratégia de cobertura universal de saúde. A redução dos preços dos medicamentos favoreceu a adoção dessa política pública. No gigante asiático, a cura da hepatite C custa menos de 40 dólares, e um ano de tratamento da hepatite B sai por menos de 30 dólares. A expectativa é de que, a esse valor, a disponibilização do tratamento vai se converter em economias com despesas na saúde já dentro de três anos.

O governo do Paquistão também conseguiu oferecer tratamento para a hepatite C a preços baixos. O fornecimento para todas as pessoas atualmente diagnosticadas com a doença deve reduzir os custos de saúde no país dentro de três anos. A nação asiática enfrenta uma das mais altas taxas anuais de novas infecções por hepatite — são 150 mil novos casos a cada ano. O governo está lançando um plano de controle para garantir a segurança na aplicação de injeções e, assim, interromper a transmissão.

Hepatite em números

Existem cinco tipos de infecções por hepatites virais – A, B, C, D e E. Mais de 95% das mortes pela doença são causadas pelas infecções crônicas por hepatite B e C, ao passo que as hepatites A e E raramente causam doenças fatais. A hepatite D é uma infecção adicional que ocorre em pessoas que vivem com hepatite B.

Para a maioria dos 325 milhões de pessoas que vivem com hepatite B e C, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento permanece fora do alcance.

Das 257 milhões de pessoas que vivem com hepatite B:

  • Estima-se que 10,5% (27 milhões) conheciam seu status de infecção em 2016;
  • Das pessoas diagnosticadas, apenas 17% (4,5 milhões) receberam tratamento em 2016;
  • No mesmo ano, 1,1 milhão de pessoas desenvolveram uma infecção crônica por hepatite B – uma das principais causas de câncer de fígado.

Das 71 milhões de pessoas que vivem com infecção crônica por hepatite C:

  • Estima-se que 19% (13,1 milhões) conheciam seu status de infecção em 2017;
  • Das pessoas diagnosticadas, 15% (2 milhões) receberam tratamento curativo no mesmo ano. No geral, entre 2014 e 2017, 5 milhões de pessoas receberam tratamento curativo para a doença;
  • Em 2017, 1,75 milhão de pessoas desenvolveram uma infecção crônica por hepatite C.

A estratégia global de hepatites da OMS, endossada por todos os seus Estados-membros, visa reduzir em 90% as novas infecções por hepatite e em 65%, as mortes, no período 2016-2030.

No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais de 2019, a OMS chama todos os países a investir na eliminação das hepatites por meio de um maior orçamento e financiamento dos serviços de saúde.

Apesar do amplo apoio dos países à estratégia da OMS, com 124 de 194 nações desenvolvendo políticas para implementar esse marco, mais de 40% dos planos não têm orçamentos específicos para apoiar os esforços de eliminação da hepatite.

A OMS também lançou duas calculadoras virtuais, a HEP C Calculator e a HEP B Calculator, projetadas para apoiar gestores de saúde na avaliação dos custos e da efetividade dos programas de tratamento.