OMS oferece apoio a países que desejarem adotar novas técnicas contra Aedes aegypti

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Ferramentas em avaliação incluem a utilização da bactéria Wolbachia, que impede a reprodução do mosquito, assim como mosquitos transgênicos cujas larvas morrem antes da idade adulta funcional.

Bombeiros ajudam a combater o foco de larvas do mosquito Aedes aegypti em áreas públicas de Brasília. Foto: Agência Brasília/Gabriel Jabur

Bombeiros ajudam a combater o foco de larvas do mosquito Aedes aegypti em áreas públicas de Brasília. Foto: Agência Brasília/Gabriel Jabur

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) está oferecendo cooperação técnica para apoiar estudos-piloto no controle de mosquitos, utilizando tecnologias novas já disponíveis que estão em diferentes fases de avaliação.

A iniciativa é parte da resposta ao surto de zika que se estendeu a 33 países e territórios das Américas.

Segundo a agência, estão sendo desenvolvidas novas ferramentas de combate ao mosquito Aedes aegypti, que além do zika transmite vírus chikungunya, dengue e febre amarela. Entre as tecnologias adotadas, está a que utiliza a bactéria Wolbachia e outra que recorre a mosquitos geneticamente modificados.

“A ferramenta mais importante para combater o zika, e, ao mesmo tempo, a dengue e a chikungunya, é o controle dos mosquitos Aedes que transmitem essas doenças”, disse Marcos Espinal, diretor de doenças transmissíveis da OPAS/OMS.

“Como esses mosquitos vivem dentro e ao redor das casas, isto requer um esforço conjunto, com a participação da comunidade, para reduzir o número de mosquitos nas Américas”, completou.

O Grupo Consultivo sobre Controle de Vetores, dirigido pela OPAS/OMS, examinou as novas tecnologias e recomendou a implementação de duas delas: a que utiliza a bactéria Wolbachia e a dos mosquitos transgênicos OX513A, sob a condição de essas técnicas receberem monitoramento e a avaliação independentes.

As bactérias do gênero Wolbachia não infectam humanos e estão presentes em 60% dos insetos comuns. Quando as fêmeas acasalam com mosquitos portadores da bactéria, os ovos não eclodem e não há reprodução da espécie. Além disso, os Aedes aegypti infectados pela bactéria diminuem sua capacidade de transmissão do vírus da dengue.

Já o OX513A é uma cepa geneticamente modificada do Aedes aegypti. Quando as fêmeas selvagens (sem modificação genética) acasalam com os mosquitos geneticamente modificados, suas larvas morrem antes da idade adulta funcional. Essa tecnologia demonstrou capacidade de reduzir as populações do mosquito em pequena escala em algumas regiões do Brasil e em ilhas do Caribe.

Mas em ambos os casos ainda faltam dados sobre o impacto epidemiológico das tecnologias, necessários para acumular evidências com o objetivo de promover seu uso em grande escala.

“O OPAS/OMS oferecerá apoio técnico aos países que queiram implementar de forma piloto estas tecnologias para combater o vetor transmissor dos vírus zika, dengue e chikungunya, que são arboviroses transmitidas pelo mesmo mosquito”, disse Haroldo Bezerra, assessor regional em entomologia em saúde pública da OPAS/OMS.


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